Música

Por que a demanda por shows de Paul McCartney no Brasil não acaba nunca?

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
23.nov.2014 - Paul McCartney se apresenta no Estádio Mané Garrincha, em Brasília Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

11/10/2017 04h00

Na música, poucos casamentos são tão felizes quanto o que uniu Paul McCartney e o Brasil. Desde que estreou batendo recorde de público no Maracanã, em 1990, o ex-beatle já emendou 20 apresentações por aqui. As próximas quatro começam nesta semana em Porto Alegre (13), São Paulo (15), Belo Horizonte (17) e Salvador (20), onde ele tocará pela primeira vez. Os ingressos para a capital paulista já estão esgotados, e para as demais cidades encontram-se nos últimos lotes. É assim há 28 anos.

Como explicar uma parceria tão bem-sucedida? Para o Luiz Oscar Niemeyer, dirigente da produtora Time For Fun que esteve envolvido em todas as turnês brasileiras do ex-beatle, há pelo menos cinco fatores que levam à uma demanda inexorável pelos shows do artista, que provavelmente só deixará de se apresentar no país quando se aposentar. “Enquanto houver gente disposta a ouvir, querendo participar, ele deve voltar", afirma Niemeyer.

Marcelo Justo/Folhapress
21.11.2010 - Paul McCartney toca no estádio do Morumbi, em São Paulo Imagem: Marcelo Justo/Folhapress

1. Ele é um (ex)beatle

Constatação óbvia. Não bastasse uma exitosa carreira individual, Paul McCartney fez parte da banda mais popular e influente da história, cujas músicas costumam ocupam a maior parte do setlist. Não é pouca coisa. Como John Lennon e George Harrison não estão mais entre nós e Ringo Starr costuma preterir o repertório do ex-grupo, o show de Paul é a melhor oportunidade de ouvir os clássicos da banda da forma mais fiel possível. “Ele é provavelmente o maior compositor contemporâneo, maior artista vivo do mundo”, entende Luiz Oscar Niemeyer.

Gabriel Lordello/UOL
10.nov.2014 - Paul McCartney se apresenta em Cariacica, região metropolitana de Vitória (ES) Imagem: Gabriel Lordello/UOL

2. Poucos fazem um show tão bom

Paul McCartney, 75, é sinônimo de música de qualidade, de uma bela produção de palco e de alguma pirotecnia, como a de “Live and Let Die” e seus fogos de artifício. Mas não é só isso. A performance de Paul é tecnicamente irretocável. Ainda que sua voz esteja mais rouca e menos potente, ele sabe explorar com destreza seus recursos e o dos backing vocals, sem alterar o tom original das músicas. Sua banda é afiadíssima. Segundo Luiz Oscar Niemeyer, tudo isso pode ser resumido “em uma produção espetacular, uma fórmula que não tem erro, com três horas de show”.

Eduardo Knapp/Folhapress
26.nov.2014 - Paul McCartney se apresenta no Allianz Parque, em São Paulo Imagem: Eduardo Knapp/Folhapress

3. Público em constante renovação

Outro fator preponderante na alta procura pelos shows de Paul McCartney: o perfil do fã brasileiro. Por aqui, assim como ocorre em diversas partes do mundo, seu público é heterogêneo, apinhado de adolescentes, jovens e pessoas na casa dos 40 anos dividindo espaço na plateia. Clássico por excelência, ele é um dos artistas que mais conseguiu renovar a audiência. "As músicas dos Beatles são eternas. Há uns anos, elas entraram para o jogo Guitar Hero e atingirem novamente a juventude. No Brasil, o show tem adolescentes de 14 e 15 anos e gente de 70 anos. É uma abrangência sem igual."

Fernando Maia/UOL
12.nov.2014 - Paul McCartney faz show no Rio, no HSBC Arena Imagem: Fernando Maia/UOL

4. Apresentações espalhadas pelo país

A recente crise econômica afetou pouco o mercado de shows internacionais, que prosseguiu em alta, com ingressos subindo acima da inflação. Como explicar esse fenômeno? Segundo Luiz Oscar Niemeyer, como o país tem proporção continental e poucas cidades recebem o cantor por vez, a demanda por ingressos praticamente não se altera. Há sempre gente que nunca viu Paul McCartney indo aos shows. E no caso de um artista grande e de forte apelo, esses eventos mobilizam fãs de todo o Brasil. Não importa se ele esteja quase todo ano por aqui. “Nossa estratégia é trabalhar com mercados novos, com shows em lugares onde poucos artistas internacionais vão. Em vez de fazer uma grande e única turnê, fazemos várias direcionadas a mercados específicos. Isso dá muito certo e garante a procura pelos ingressos”, diz o produtor.

Rafael Andrade/Folhapress
23.mai.2011 - Paul Mccartney em show no Rio, no estádio João Havelange Imagem: Rafael Andrade/Folhapress

5. Sintonia com o Brasil

Paul McCartney nunca escondeu o amor pelo Brasil, onde tem o hábito de passear anonimamente de bicicleta no intervalo de shows. Para Paul, nosso público é especial, e isso não se restringe aos discursos em português. “Uma vez estávamos tocando “Give Peace a Chance”. Aí foram aparecendo balões brancos. ‘O que é isso?’, pensamos. E todos no estádio pareciam ter balões, parecia um campo de margaridas. Foi emocionante. Depois, perguntamos: ‘Quem fez aquilo? Alguma estação de TV?’ ’Não.’ ‘Os promotores do show?’ ‘Não.’ Foi algo organizado pelo público”, derreteu-se o cantor em entrevista de 2013.

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