Música

Preta Gil lança álbum com participação de Pabllo: "Filha que eu nunca tive"

Alex Santana/Divulgação
A cantora, atriz e apresentadora Preta Gil Imagem: Alex Santana/Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

27/10/2017 12h00

Preta Gil está duplamente orgulhosa. Primeiro: seu novo disco, “Todas as Cores”, lançado nesta sexta (27), levanta sua bandeira favorita, a da diversidade. Segundo, com participações da sertaneja Marília Mendonça e da madrinha Gal Costa, o álbum traz a sensação Pabllo Vittar, com quem canta na faixa “Decote”

Reprodução
Capa de "Todas as Cores" Imagem: Reprodução

Não é por acaso. A filha de Gilberto Gil é sócia da empresa que representará comercialmente a drag queen mais popular do Brasil, a quem define carinhosamente como “filha que nunca tive”. “É uma paixão na minha vida. Dou dica, conselho, compro maquiagem. Se vejo algo parecido com ela, compro na hora. É muito gostosa a relação”, afirma Preta ao UOL.

Produzido pelo midas do funk Batutinha, o quarto álbum de estúdio de Preta Gil tem faixas assinadas por Seu Jorge, Ana Carolina e pela própria Marília Mendonça. Também traz sua primeira faixa autoral, o pop suingado "Sei Lá".

Em congruência (ou não) com os novos ventos, a cantora diz, no entanto, que sua música é despida de gêneros. “Na verdade, nunca fiz parte de segmento, Nunca consegui me enquadrar. Apesar de ter DNA de MPB, sempre fui reformulando minha música. Acho que a música popular brasileira atual para mim é tudo. É o sertanejo, forró, carimbó, funk.”

UOL - De onde vieram “todas as cores” da Preta Gil?

Preta Gil - Na verdade, nunca fiz parte de segmento. Nunca consegui me enquadrar. Apesar de ter DNA de MPB, sempre fui reformulando minha música. Acho que a música popular brasileira atual para mim é tudo. É o sertanejo, forró, carimbó, funk. Comecei a fazer o álbum e percebi que ele também tinha uma certa esquizofrenia. Quando vi, tinha gravado três sambas, um charme, um sertanejo, um funk melody. Isso é muito diverso. “Todas as Cores” foi um nome feliz. Eu me considero de todas as cores mesmo. Claro que tem a imagem do arco-íris, da diversidade, mas é mais profundo. É o que sou.

Você faz parceria com três das artistas mais relevante de seus segmentos: Pabllo, Gal e Marília. Como consegue ter sempre gente importante ao redor?

Acho que o segredo é ser legal, bacana, verdadeira. Nesses 43 anos, sempre tive comprometimento comigo mesma de ser uma pessoa boa. Sou uma pessoa que some com os outros. Sou movida a gente, a paixão por pessoas.

Foi difícil gravar com Gal Costa, sua madrinha?

Levei 15 anos para ter coragem para ligar para ela. É uma responsabilidade. Foi a segunda pessoa que me pegou no colo. Se você for entrevistá-la, ela vai dizer que eu liguei e a mandei gravar comigo (risos). Eu fui direta. “Dinda, olha a música que eu fiz, pensei de a gente gravar juntas. Você topa?” Ela escutou e disse que topava.

Quando a gente se encontrou no estúdio foi um momento muito bonito, que nunca vou esquecer. Vieram lembranças da infância, de ela me levando para passear, tomar sorvete, comprar roupa. Eu me lembro que era uma confusão comprar roupas com ela. Ela parava a loja, parava a rua. Talvez as pessoas desta geração não entendam o que foi Gal Costa para a minha. Para os mais jovens entenderem, ela era como se fosse a Ivete Sangalo. Parava o trânsito. Pessoas ficavam do lado de fora batendo na porta, querendo entrar. Eu via aquilo e achava o máximo.

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Preta Gil e Pabllo Vittar em clipe de "Decote" Imagem: Reprodução

E esse amor pela Pabllo, como começou?

Sou apaixonada por ela desde que a vi no YouTube dois anos atrás cantando “Open Bar”. Ela me intrigava muito. Era fascinada pela voz, pelo timbre agudo. A última vez que vi uma cantora cantando tão agudo assim foi a Tetê Espíndola. Achava aquilo transgressor, corajoso. A gente ficou amiga na internet, se stalkeando nas redes sociais.

Nos encontramos pela primeira vez no aeroporto no ano passado. Foi uma gritaria. Ela falava que era minha fã, que tinha ido num show meu em São Luiz quando tinha 8 anos. Ela tem idade do meu filho. É uma paixão louca que eu sinto. Dou dica, conselho, compro maquiagem, glitter. É como se fosse a filha que não tive. Se vejo algo parecido com ela, compro na hora. É muita gostosa essa relação, que foi do profissional para o pessoal. Tenho um orgulho que não cabe no peito. Fico vibrando, aplaudindo e me emocionando. A gente se fala todos os dias.

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Capa do álbum "Prêt-à Porter" (2003) Imagem: Reprodução

No seu primeiro disco, de 2003, você aparece nua em meio a fitas do Senhor do Bonfim. De cara, juntou nu e religião. Já imaginou o furdunço que causaria se lançasse o disco hoje?

Já. Talvez eu tenha tirado o moralismo da geladeira. Ali eu provei quem eu era. Sou filha do tropicalismo. De uma família em que ficar nu, ser gay, é tudo muito natural. Não tem nenhuma ligação com algo polêmico ou transgressor.

Quando falavam sobre moralismo para mim, eu dizia: “Imagina, que gente careta. Vivemos no país do Carnaval!". Eu não entendia que existia uma sociedade moralista. Eu vivia numa bolha. Era uma preta no país do tropicalismo. Eu tinha esse meu mundinho que me protegia e com o álbum me deparei com a realidade.

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