Música

Quem são os funkeiros acusados de promover erotização infantil?

Reprodução/Montagem
Os MCs Doguinha, Brinquedo e Melody, que já foram alvo de investigação Imagem: Reprodução/Montagem

Do UOL, em São Paulo

03/12/2017 04h00

O assunto é espinhoso e pertinente ao tempos de “peladão do MAM” e discussões sobre limites da arte. Para muitos, são eles, os funkeiros mirins, e não os museus, a grande ameaça ao direito e segurança da criança e do adolescente. Com visual, postura e letras muitas vezes adultas, esses meninos, seja por meio de pais ou produtores, vem sendo alvo de investigações que apontam a chamada "erotização infantil".

O caso mais recente é o de Doguinha, MC de 12 anos denunciado pelo Ministério Público do Rio por causa de "Vem e Brota Aqui na Base", um funk com versos explícitos cujo videoclipe mostra o garoto sensualizando com uma jovem na piscina.

Segundo o MP, o clipe faz “apologia a práticas erótico-sexuais” e “vulnera os princípios da proteção integral da criança e do adolescente e da finalidade social da internet". Um inquérito civil tenta remover extrajudicialmente o vídeo do YouTube.

Doguinha não está sozinho. Em 2015, o Ministério Público de São Paulo já havia aberto investigação envolvendo nomes como Melody, Brinquedo, Pikachu e Vilãozin. MC Pedrinho chegou a ser proibido judicialmente de se apresentar enquanto não readequasse o estilo.

De acordo com o Ministério Público, dois TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) foram expedidos e assinados pelo pai de Melody e representantes da KL Produtora, responsável pela carreira dos outros funkeiros. Entre outros pontos, ele se comprometeram a adaptar estilo e agendar apresentações em matinês.

Segundo o promotor Eduardo Dias de Souza Ferreira, responsável pelo inquérito envolvendo os MCs paulistas, a KL não cumpriu termos do documento e acabou multada. O UOL tentou contato com a produtora e o empresário Emerson Martins, fundador da empresa, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. Ainda em andamento, as investigações estão sendo conduzidas por varas do trabalho de São Paulo.

Na internet, o “funk proibidão" produzido por menores de idade ganha audiência tanto quanto provoca polêmica. Vídeos contam com milhares de visualizações e, em alguns casos, os funkeiros são estrelas com cachês que chegam a ultrapassar R$ 40 mil por show.

Para o Ministério Público e instituições ligadas ao direito da criança e adolescente, casos como esses tendem a configurar exploração infantil, além de violar a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Convenção na ONU sobre os direitos da criança.

Veja abaixo alguns dos funkeiros que estão ou estiveram na mira da polêmica.

Divulgação
Imagem: Divulgação

MC Doguinha

Morador do Morro do Sossego, em Duque de Caxias (RJ), Doguinha tem 12 anos e há três vem postando vídeos na internet. Com o sucesso de "Vem e Brota Aqui na Base", ele vem fazendo 13 shows por semana. Na música, ele versa: “A novinha linda, que mora aqui do lado/Ta cheia de papim no whatsapp/Bumbum gostosão, corpo sedutor/Foi por isso que o doguinha se encantou/Vem e brota aqui na base/Vamos fazer sacanagem/Sei que você tem vontade/Então senta um pouquinho”. As outras faixas do garoto, como “Mozão Senta Aqui - Fuga do Pai e da Mãe", "Eu Quero Você - Vai Empinando" e "Viciei na Sua Sentada" também apresentam forte conotação sexual. O UOL não conseguiu contato com a produtora de Doguinha, a Legenda Funk, nem com responsáveis pelo funkeiro.

Legenda Funk,... - Veja mais em https://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2017/11/08/mp-do-rio-abre-inquerito-para-tirar-clipe-de-funkeiro-mirim-do-youtube.htm?cmpid=copiaecola
Legenda Funk,... - Veja mais em https://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2017/11/08/mp-do-rio-abre-inquerito-para-tirar-clipe-de-funkeiro-mirim-do-youtube.htm?cmpid=copiaecola

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Imagem: Divulgação

MC Melody

A paulistana de dez anos de idade começou a carreira em 2015, incentivada pelo pai, o funkeiro MC Belinho. Usando maquiagem e visual adulto, ela faz sucesso com o público infantil. Virou alvo do Ministério Público por músicas como “Agora Chora”, em que canta que "a novinha cresceu/Agora chora, tu viu que me perdeu/Agora é tarde, não adianta implorar/Sai fora garoto, já tem outro no seu lugar”. Embora mais "light" em termos de erotização, Melody chegou a motivar uma petição on-line que conseguiu mais de 23 mil assinaturas pedindo a intervenção no Conselho Tutelar de São Paulo. Após se comprometer a "pegar leve" com a menina, Belinho afirma que o foco agora é distanciar a filha do funk, explorando mais as paródias e o universo adolescente. Recentemente, Melody lançou músicas como “Kebradinha de Lado”, “Pontinho da Sarrada” e “Joga o Bumbum”.

Reprodução
Imagem: Reprodução

MC Brinquedo

Hoje com 16 anos, o MC paulistano começou a carreira aos 13 ao lado de Bin Laden e 2K. Seu primeiro sucesso foi "Boquinha de Aparelho", dos versos “Tu vai lamber, tu vai dar beijo / Tu vai mamar com essa boquinha de aparelho”. Adepto do “funk proibidão”, Brinquedo explora a sexualidade explícita e o duplo sentido em praticamente todas as músicas. Entre elas estão “Vai Gostosa” (“Vai gostosa/Bate a, bate a/Bate a bunda na piroca), “Bumbum na Nuca” (“O peitinho ainda tá crescendo/Só que o bumbum já tá batendo na nuca) e “Mundo dos Animais” (“Ela tem gato, tem cachorro/Mas seu xodó é sua perereca”). Em entrevistas, Brinquedo já afirmou que o conteúdo de suas músicas não difere do de outras formas de entretenimento, inclusive de populares desenhos animados, que hoje estariam repletos de referências sexuais.

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Imagem: Reprodução

MC Pedrinho

Natural de Cabreúva, interior de São Paulo, Pedrinho é um dos funkeiros mais populares de sua geração. Virou hit cantando “Dom dom dom, dom dom dom/Ajoelha se prepara e faz um boquete bom”. Em 2015, aos 13 anos, foi proibido pela Justiça de fazer shows no Brasil sob pena de multa de R$ 50 mil. A Vara da Infância e da Juventude determinou ainda a retirada de todo o seu conteúdo nas redes sociais. O adolescente só pôde retomar a carreira após a assinatura do Termo de Termo de Ajustamento de Conduta. Desde então, Pedrinho e os pais afirmam que ele aprendeu a lição. Atualmente na produtora GR6 Eventos, o funkeiro mudou, adotando um estilo mais romântico e bem menos explícito, próximo ao de MC Gui.

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Imagem: Divulgação

MC Pikashu

Em 2014, aos 14 anos, o paulista Pikachu chegou com referências pornográficas e ao uso de drogas ilícitas, o que rendeu uma avalanche de críticas. Seu repertório inclui faixas como “Chupa Logo Essa Porra”, “Vai Toma Sua Gostosa” e “Cadê o Beck”. “Chegou a novinha me pediu pra dá uns trago/Eu falei assim: Vamos faze um acordo/Dá a boceta pra mim e o cu e fuma o beck todo”, diz ele em “Tava na Rua”. O MC tem vídeos dançando de forma erotizada com uma jovem de biquíni e letras como "Não perdi tempo pra eu ficar 'susu'/Botei a xaninha dela para brincar com meu peru". Hoje com 18 anos, Pikashu mudou pouco estilo ao longo do tempo e não tem planos para isso.

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Imagem: Reprodução

MC Vilãozin

Também alvo de investigação, o pequeno MC Vilãozin causou polêmica ao aparecer estrelando o próprio videoclipe em 2015, quando tinha apenas 6 anos de idade. Filho de um frentista e uma caixa de supermercado, o garoto de São Miguel Paulista (zona leste da capital paulista) lançou a faixa “Tapa na Bunda”, cujo clipe traz o menino usando correntes douradas, acompanhado de duas garotas que rebolam de costas, uma de 12 e outra de 19 anos. “Dá um tapa na bunda dela/Senta com a pepeca”, diz a letra. Depois, Vilãozin divulgou outras músicas com conteúdo erotizado, como “É no Baile” e “No Grave”. Segundo o pai do garoto, Wellington Silva, a carreira de Vilãozin está suspensa por tempo indeterminado. "Estamos sem tempo para isso", diz ele ao UOL.

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