Música

Modelo e neto de diplomata: O funkeiro que une Harry Potter e sacanagem

Divulgação
Capa do single de "Harry Porra" Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

14/12/2017 04h00

Sensação da internet, MC Maha tem a receita do sucesso viral:

1) cante funk;

2) tenha uma sacada nova e divertida, de preferência unindo sexo e cultura pop;

3) junte pelo menos R$ 400 para contratar um bom DJ/produtor capaz de transformar sua ideia em pancadão. Voilà!

Foi assim que Dominic Patrick da Costa-Maha, 24, ex-modelo e cantor de axé de Brasília, conseguiu emplacar seu primeiro hit, "Harry Porra e a Bruxinha Rabuda", um funk proibidão de versos nada ortodoxos.

Lançada no fim de outubro, a música virou meme, rendeu paródias, passou de 4 milhões de visualizações no YouTube e tem oscilado entre a quarta e a sexta posição na lista das 50 mais virais do mundo no Spotify, que compila as faixas mais compartilhadas na web. No ranking das virais brasileiras, alcançou a liderança. É um hit forjado sob medida para a internet.

"Fiquei surpreso, mas já imaginava que a música faria barulho. O mercado do funk ainda não trabalha com essa vertente de zoeira intensa com filmes clássicos. Às vezes o funk faz zoeira em alguns trechos, mas nunca ninguém trouxe isso totalmente à tona", analisa ele, um grande fã da saga Harry Potter, ao UOL.

A internet está caminhando cada vez mais para as zoeiras gerais. Esse é o momento. E as três coisas que mais viralizam de forma fácil são comédia, tragédia e assuntos relacionados à putaria e ao sex appeal.
MC Maha, com autoridade de novo fenômeno web

Alheio a críticas —e não são poucos—, Maha já havia lançado anteriormente seu "Bumbum Filosofal", outra referência ao universo da escritora J.K. Rowling. Suas próximas ofensivas seguem a linha: "Senhor dos Anais", em que manda "virou o Smeagol, só quer o anel / Tá sendo zoado, pobre coitado"; e a ainda inédita "Game of Tromba", que terá o desafio de inserir ainda mais sexo na já picante série de fantasia da HBO.

Seguindo a regra da internet, a carreira do funkeiro vem sendo meteórica. Fez o primeiro show solo apenas em maio deste ano e divulgou o primeiro clipe, "Cantarola e Rebola", cinco meses depois. Mas o sucesso veio só depois de misturar trocadilhos com referências do cinema, que são publicadas em canais especializados como o Legenda Funk e o Detona Funk.

Deu mais que certo: Maha acaba de assinar com a paulistana Play Produtora, parceira de nomes como Kondzilla, que já prepara sua primeira turnê nacional com shows em São Paulo, no Rio e no sul do país. A grana, mesmo, ainda falta entrar.

"Tô zerado. Milhões no YouTube e zero no bolso [risos]. Como botei tudo fora do meu canal, ainda não estou recebendo nada, nem no Spotify. Não sei como é a política de distribuição de lucro deles, mas eles me cobraram muito dinheiro. Minha produtora já está começando a olhar isso".

Reprodução
O funkeiro MC Maha, que coloca filmes de fantasia no meio do funk proibidão Imagem: Reprodução

Frustração com a moda

Ex-estudante de teatro do IESB (Centro Universitário do Instituto de Educação Superior de Brasília), Maha trancou a faculdade depois de perder o emprego no metrô do Distrito Federal, onde trabalhava renovando cartões estudantis. Os bicos como modelo já não davam mais para bancar os estudos. Foi daí que veio a virada.

"Nunca consegui crescer na moda nem viajar para fora. O teatro também é complicado, depende muito de quem indica. Estava perdido até que um dia consegui passar na seleção do bloco Santo Pecado de Brasília, grupo de axé daqui", conta ele, que nasceu em Trinidad e Tobago e é neto de um diplomata nigeriano.

Mas tais credenciais não lhe renderam facilidades. Tudo que sobrava dos cachês de axé Maha investia em funks: R$ 400 por música na mão do DJ WS, produtor de MCs de Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Rio. "Agora, por causa de 'Harry Porra', ele aumentou, está cobrando R$ 500." 

E se amanhã as músicas-meme perderem a graça, como quase toda piada? Atento aos movimentos da internet, Maha tem a solução. "A internet rompeu barreiras. Mas não pretendo fazer só esse tipo de paródia. Foi só uma forma de entrar no funk. Toda vertente pode cair com o tempo. Sou eclético e pretendo seguir com um estilo mais variado, mas a ideia é continuar no funk, que é minha paixão."

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