UOL Música

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24/10/2005 - 03h09
Strokes puxa a ala retrô na noite paulista do Tim Festival com público de 24 mil pessoas

LUIZ CESAR PIMENTEL
UOL Música


Nova-iorquinos fecham o festival com show de hits, que teve também belas apresentações de Arcade Fire e Kings of Leon

Ninguém quer ser "contemporâneo" na música pop atual. Ao menos é a impressão que a perna pop-rock do Tim Festival, que aconteceu no domingo (23) à noite na Arena Skol Anhembi, em São Paulo, deixou. Das cinco bandas que se apresentaram --Mundo Livre S/A, M.I.A., Arcade Fire, Kings of Leon e Strokes-- quatro calcam sua sonoridade na música de décadas passadas; as quatro que mais empolgaram as cerca de 24 mil pessoas presentes na fria noite de garoa paulistana (O Tim de São Paulo reuniu ainda mais 2.300 para três noites de shows no Auditório Ibirapuera).

Kings of Leon mostraram uma música fortemente inspirada nos anos 70, Arcade Fire, na dos anos 80, Mundo Livre, no mangue beat, do começo dos anos 90, e os Strokes releram influências que vão do rock inglês dos anos 60 até o heavy metal de arena dos 80, presente nos solos de guitarra das músicas novas. A eletrônica no pop, que parecia ser a "salvação" do gênero na virada do milênio, ficou restrita à apresentação de M.I.A..

A cantora, nascida em Londres de pais cingaleses, fugiu da fórmula do resgate para mostrar sua mistura de rap, ragga e funk carioca. "Brasil, obrigada por fazer uma música tão boa", disse a cantora logo no início do show. A apresentação, no entanto, não esquentou a platéia.

Pouco carismática e sem "pique" para segurar a energia alta que se espera de uma apresentação de música para dançar, M.I.A. deu a impressão de que a alma de seu show é Cherry, a backing vocal e dançarina caribenha que a acompanha. Os momentos de maior empolgação da platéia ficaram por conta dela, que, no melhor estilo "popozuda", rebolava e se contorcia, enquanto a inglesa andava de um lado para o outro, meio que perdida no palco.

Mesmo assim, o show teve momentos bonitos no telão, que exibia vídeos de animação feitos pela própria cantora, que também é artista gráfica e já fez capas de disco para a banda Elastica.

Antes de M.I.A., os pernambucanos do Mundo Livre S/A, em 45 minutos, içaram cavaquinho, guitarra, bateria e baixo do mangue e fizeram uma boa apresentação.

No show, mostraram sucessos de carreira e músicas de um novo disco, "Bebadogroove", que tem sete músicas e, por enquanto, é vendido apenas em shows. A música de trabalho do disco se chama "Soy Loco Por Sol", uma referência à personagem Sol (Déborah Secco) da novela "América", e trata do problema de imigração ilegal para os EUA.

ARCADE FIRE

O melhor da noite, porém, começou com os canadenses do Arcade Fire, que lotaram o palco com sete músicos, todos vestidos de preto, e com instrumentos estranhos a uma apresentação roqueira, como acordeão, violino, baixo acústico e uma seção percussiva que incluía até capacetes de motociclismo.

O som oitentista grandioso e etéreo do septeto já arrebanhou fãs como David Bowie e Chris Martin, vocalista do Coldplay, que apontou recentemente "Rebellion (Lies)" como a música mais bonita que ele conhece. Ponto alto do show, aliás, ao lado de "Crown of Love", ambas do único trabalho do grupo, "Funeral", lançado no ano passado.

O inusitado do show ficou por conta de uma versão de "Aquarela do Brasil", em arranjo belíssimo com baixo de pau (acústico), violino e violão. A música, que a banda conheceu na trilha do filme "Brazil", do inglês Terry Gillian, faz parte do repertório dos shows da banda há "muito tempo", segundo contou a UOL Música Will Butler, o integrante mais performático do grupo, que, durante a apresentação, além de tocar baixo, teclados e percussão, dança e corre de um lado do outro do palco.

KINGS OF LEON

Bola para os hard-roqueiros norte-americanos do Kings of Leon --uma banda familiar, composta por três irmãos e um primo. Se algum desavisado passasse ao largo da Arena e visse apenas um dos telões, imaginaria que estava a rodar alguma apresentação do Festival de Woodstock.

Setentistas até o último fio dos cabelos compridos, mostraram ousadia de cara e gastaram muitas fichas ao abrirem o show com o maior hit, "Molly's Chambers", do disco de estréia "Youth & Young Manhood", de 2003. Mas mantiveram a bola alta e o calor do público com uma apresentação vigorosa de quase uma hora.

STROKES

A noite, porém, era dos Strokes, banda mais que aguardada no país desde o primeiro disco, "Is This It", de 2001. E, parodiando Galvão Bueno, "Strokes é Brasil no Tim Festival", já que o dono das duas baquetas é nascido no Rio de Janeiro --orgulho tupiniquim na platéia, apesar do nome italiano, Fabrizio Moretti-- e de ter um conhecimento de português apenas um pouquinho melhor do que a média das outras bandas que se limitaram ao tradicional "obrigado".

O grupo promoveu uma viagem no tempo, agregando a um rock de batidas retas e alternância de melodia entre as duas guitarras e o baixo, desde elementos da gênese do punk, os Stooges, até o pós-punk dos anos 80.

Hit após hit os Strokes angariaram uma goleada como grand finale do festival. Subiram ao palco à meia-noite em ponto e em uma hora cravada passaram um repertório de encher os ouvidos --"12:51", New York City Cops", "Soma", "Automatic Stop", "Last Nite", "Is This It", "Barely Legal" e "Take It Or Leave It". Rechearam esta primeira hora com algumas músicas novas, do terceiro disco, que sai em janeiro de 2006. A dada altura, o baixista Nikolai Fraiture desdobrou uma bandeira brasileira no palco e a colocou sobre uma das caixas de retorno.

Após 10 minutos de expectativa, os nova-iorquinos voltaram para o bis e fecharam com estilo com três das melhores canções das 22 lançadas até agora, "Hard to Explain", "The Modern Age" e "Reptilia". E, como já havia acontecido no show do Rio de Janeiro, na sexta (21), a despedida coube ao brasileiro Moretti: "Boa noite, meus irmãos brasileiros".

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