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10/10/2010 - 21h48

Regina Spektor apresenta sua música lunar e delicada no SWU

ANTONIO FARINACI
Colaboração para o UOL, de Itu (SP)
  • A cantora e pianista Regina Spektor faz show no segundo dia do festival SWU, em Itu (10/10/2010)

    A cantora e pianista Regina Spektor faz show no segundo dia do festival SWU, em Itu (10/10/2010)

A lua nova era só um fiapo no céu quando Regina Spektor deu os primeiros acordes de "The Calculation", música que abriu seu show na Fazenda Maeda, em Itu (SP), para um público de cerca de 15 mil pessoas, na noite deste domingo (10), segundo dia de SWU.

E Regina faz uma música que se poderia dizer lunar e feminina, e que parece ter sempre um travo melancólico, mesmo nos momentos felizes. Ela pertence a uma linhagem de compositoras-cantoras pop que passa por Kate Bush e Björk --artistas que se caracterizam por letras de forte apelo literário e por um flerte com a música clássica e experimental em suas composições e arranjos.

No show apresentado no SWU, o repertório foi dominado por canções de “Far” (2009), seu disco mais recente. Este é seu álbum menos “introspectivo”, mas, mesmo assim, essas são canções delicadas, artesanais, sem “verniz”, que prezam suas próprias arestas.

Na maior parte do show, ela é acompanhada por violoncelo, viola, bateria e piano (que ela mesma toca). Os arranjos e composições são requintados. Em “Machine”, por exemplo, o acompanhamento do piano lembra um ostinato de Schubert. Em “Poor Little Rich Boy” (do disco “Soviet Kitsch”), ela batuca uma cadeira com a mão direita enquanto toca piano com a esquerda. Em "Après Moi", a cantora, que nasceu na Rússia e migrou para os Estados Unidos aos 9 anos, recria um poema de Boris Pasternak em russo. Até as poucas músicas mais “altas”, que ela canta à guitarra, dependem de sutilezas.

Nas canções mais conhecidas, como “Fidelity”e “Eet”, o público chegou a fazer coro, e fingiu não perceber que, por diversas vezes durante o show, Spektor acenava para o técnico pedindo correções no som. Simpática, a cantora disse que quer voltar ao Brasil, “quando estiver calor”, e agradeceu em português.

Ao final, a impressão que se teve é de que um palco tão grande não é adequado para um show que exige tantos cuidados.

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