Público embarca na fantasia do show "Elvis In Concert" no Rio de Janeiro

Alexandre Coelho
Do UOL, no Rio de Janeiro

“Elvis não morreu”. Quem nunca ouviu essa frase? Se para muita gente o Rei do Rock continua respirando e andando por aí, para a maioria dos fãs, ele vive através de suas músicas. Foi essa convicção que, 35 anos após a morte do cantor, levou cerca de 12.000 pessoas ao show da turnê Elvis Presley in Concert no Maracanãzinho, no Rio, na noite dessa quinta-feira (11). Antes, o espetáculo passou por Brasília e São Paulo.

A apresentação, marcada para as 21h, começou com 25 minutos de atraso, ao som de “Also Sprach Zarathustra”, clássico de Richard Strauss eternizado no filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick. Em um telão no fundo do palco, imagens de Elvis nos bastidores de um antigo show empolgaram o público, que entrou na onda, como se o ídolo estivesse prestes a pisar o tablado montado no ginásio.

E, ao som de “See See Rider”, a voz do artista – com sua imagem interpretando a canção simultaneamente no telão – “atacou” a primeira música do concerto, devidamente separada do instrumental original, e acompanhada ao vivo por uma super banda.

Se não em 100% da exibição, pelo menos em boa parte dela o público carioca embarcou na fantasia, muitas vezes de pé, cantando e dançando as músicas. Há que se destacar o impecável trabalho do grupo, que mantém impressionante sincronismo com as imagens do ídolo interpretando as músicas no telão.

Curiosamente, a plateia feminina respondia com “gritinhos” a cada jogada de charme de Elvis, como se de fato ele estivesse ali, presente. E, realmente, só faltou ele. Muitas vezes, era inevitável tirar os olhos do telão e procurar o ídolo no palco, como acontece em qualquer show de rock em grandes arenas. Dentro desse clima, não faltaram dois ou três fãs mais profissionais, com costeletas e óculos escuros, nem uma faixa com os dizeres “Welcome to the King of Rock”, esticada na arquibancada.

Apesar da sensação de um misto de cinemão ao ar livre – com milhares de pessoas olhando para um telão – com show ao vivo, o público, muitas vezes, puxou palmas e cantou, espontaneamente, mesmo sem a presença de um “frontman” que o instigasse.

Se, por um lado, uma exibição sem a presença física do astro principal não “decola”, por outro, rende momentos muito legais. Como nas vezes em que o guitarrista James Burton ou o tecladista Glen Hardin, que tocaram com Elvis, apareciam nos dois telões secundários em suas versões jovens, no vídeo ao lado do artista, e ao vivo, simultaneamente. Para ovação da assistência.

O repertório do “Rei”, por sua vez, é prato cheio para qualquer fã. “Blue Suede Shoes” arrancou gritinhos histéricos do público feminino. “Love Me Tender” beirou o delírio, quando Elvis iniciou farta distribuição de “selinhos” nas moçoilas da primeira fila (do filme, é claro, o que gerou certa inveja na mulherada carioca presente).

Enquanto a super banda, que inclui naipes de cordas, metais e coros, segurava a onda com competência, a plateia se derretia à interpretação de “Bridge Over Troubled Water”, a ponto de fazer “ownnnn” aos primeiros versos cantados por Elvis. “Suspicious Mind” foi o limite em que, definitivamente, o público não resistiu, se levantou, e dançou de verdade, como num bailão.

Outros pontos altos do espetáculo foram “My Way” e o cântico gospel “Glory Glory Hallelujah”. Nessa última, quem mereceu aplausos entusiasmados foi a banda e, em especial, o coro, pela vibrante interpretação. Já “Can’t Help Falling in Love” fez a alegria dos casais presentes e todo mundo cantou junto.

Depois de uma hora e 45 minutos de show (com direito a meia hora de intervalo), para o advogado Jorge Dupuy, de 67 anos, que, nos anos 60, viu o cantor ao vivo, em Las Vegas, era hora de saborear uma noite inesquecível. “O show foi simplesmente espetacular. O Elvis é o único artista que, mesmo 35 anos depois de morto, lota um ginásio”, observou.

O ingresso para o espetáculo foi presente da filha, a empresária Danielle Dupuy, de 40 anos, que herdou a paixão pelo ídolo. “Foi o melhor show da minha vida, eu chorei o tempo inteiro. Agora posso morrer feliz”, exagerou, como qualquer boa fã.

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