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05/11/1998 - 01h25
Otto faz samba de astronauta em CD de estréia "Samba pra Burro"

Artigo publicado originalmente em 5/11/1998, no lançamento do primeiro disco solo de Otto

Antonio Farinaci
Da Redação

Otto, 30, é um "nordestino bem alimentado". Assim esse pernambucano de Belo Jardim se define na canção "TV a cabo", uma das faixas de seu primeiro CD solo, "Samba pra burro", em todas as lojas a partir do dia 10 de novembro, primeiro lançamento da gravadora Trama.

Otto diz que a música entrou em sua vida por meio de sua família e de seus amigos. Seu primeiro disco "nacional", ele diz, foi "aquele do Martinho da Vila que tem 'canta, canta, minha gente...'" Seu primeiro disco "internacional" foi um de Elton John. Afora isso, Otto ouviu de tudo: Elis, Luis Melodia, Roberto Carlos, Elomar, Dalva de Oliveira e Núbia Lafayette.

Longe de condenarem "Samba pra burro" ao ecletismo vazio, essas referências todas configuram um discurso inteligível, no que faz lembrar as reivindicações do underground musical dos anos 70, que parelhava Vicente Celestino, folclore nordestino e bossa-nova, numa reflexão sobre a música brasileira. Otto resgata uma certa maluquice do "udi-grudi" 70 e atualiza o "desbunde" com uma produção tecnológica impecável.

Duas canções de "Samba pra burro", "Low" e "Changez tout", são em francês, lembranças do tempo em que Otto morou em Paris -"88, 89 e 90, anos muito ruins para o Brasil por causa da era Collor", ele diz.

Na faixa que abre e fecha o disco, "Bob" -uma parceria aparentemente insólita de Otto e Bebel Gilberto, inclusive nos vocais- Otto espelha, de propósito ou por coincidência, os duetos de João Gilberto e Astrud no antológico disco de Jobim e Stan Getz -assim, o que parecia insólito torna-se uma delicada homenagem à MPB, e tudo o resto é influência do jungle.

Otto parte da falência do músico virtuoso e aposta na parceria com o produtor, Apollo 9, para a concepção e execução das músicas. Isto é o que faz de "Samba pra burro" o disco que faltava ao pop brasileiro desde, pelo menos, o começo dos anos 90.

"Samba pra burro" finca no techno a bandeira do pop nacional. Um pequeno passo para Otto, que veio do mundo livre, um grande passo para a música brasileira. "Quando eu era criança, meu sonho era ser astronauta", diz Otto. Mas Otto é um astronauta!



Disco: "Samba pra burro", Otto
Lançamento: Trama
Quanto: R$ 18, em média

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