Festivais

10 ideias criativas de Roskilde que podem ser usadas em festivais do Brasil

Felipe Branco Cruz/UOL
Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em Roskilde (Dinamarca)*

04/07/2017 08h37

Chega a ser uma injustiça afirmar que o Brasil não tem bons festivais de música. Basta lembrar de eventos como o Rock in Rio, o Lollapalooza, o Monsters of Rock, entre tantos outros. A maioria possui uma excelente infraestrutura e ótimas opções de alimentação e lazer. Tudo sempre pode melhorar.

O Festival de Roskilde, na Dinamarca, é o maior do norte da Europa e acontece ininterruptamente desde 1971. Ele é tocado por milhares de voluntários e todo o lucro é doado para instituições de caridade do país.

O UOL transmitiu os principais shows do evento, em parceria com a Red Bull Brasil, que gerou as imagens.

Com tantos anos de experiência, Roskilde desenvolveu soluções baratas e criativas para gerir o público e os shows, como espalhar mictórios por todos os lugares e oferecer opções realmente diferenciadas de alimentação.

Mas nada é perfeito. Quase todo ano chove no lugar e a fazenda onde o festival ocorre vira um imenso lamaçal. Mas a organização e os frequentadores encaram essa dificuldade como algo inerente de Roskilde e nada fazem para resolver. No Brasil, pelo menos, são poucos os festivais que ainda sofrem com a lama.

Abaixo, apontamos 10 ideias realmente criativas que observamos no Festival de Roskilde e que poderiam ser aplicadas no Brasil.

Como não pensamos nisso antes?

  • Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL
    Felipe Branco Cruz/UOL
    Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL

    Renovar todo o público em frente ao palco a cada show

    Em 2015, no Rock in Rio, diversos fãs chegaram cedo à Cidade do Rock e quando os portões abriram às 14h, eles correram iguais uns loucos para a grade, em frente ao palco Mundo, de onde não saíram até as 23h, quando a atração principal se apresentou. Algumas pessoas chegaram a usar fraldas geriátricas para não ter que ir ao banheiro. Mas um grande festival não é feito só de shows. Existem diversas opções de lazer para se fazer até chegar a hora de seu show favorito. Então, por que perder um dia inteiro em frente ao palco? É um verdadeiro desperdício de tempo passar o festival inteiro na grade. É por causa disso que nenhum dos nove palcos de Roskilde permite que as pessoas fiquem na grade.

    Funciona assim: na lateral do palco é formada uma fila de pessoas que querem ver o show da sua banda favorita. Em outro ponto, é formada outra fila. Quando o show começa, as pessoas entram na área em frente ao palco. Quando acaba, tem que sair para dar lugar a outras pessoas. Há um sinal verde e outro vermelho que indicam se o espaço está lotado ou não. Caso a pessoa não faça questão de ficar na frente, ela não precisa pegar fila nenhuma e assistir a apresentação do fundo - onde também há uma excelente visão do palco. Pronto. Problema resolvido. Leia mais

  • Imagem: Divulgação
    Divulgação
    Imagem: Divulgação

    Estação de trem temporária

    Em Roskilde há apenas uma estação de trem, no centro da cidade. Mas a linha férrea passa próximo da fazenda onde ocorre o festival. Para evitar engarrafamentos ou muitos ônibus nas proximidades do evento, a companhia de trens do governo permite que os trens parem fora da estação e o público desce entre os trilhos e caminha por uma trilha até a estrada, de onde pode acessar a portaria. Além disso, milhares (sim, milhares) de pessoas vão para o festival de bicicleta (há um imenso estacionamento delas no local) ou de ônibus. Não há engarrafamento.

  • Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL
    Felipe Branco Cruz/UOL
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    Mictórios em todos os lugares, até ao lado do palco

    O Festival de Roskilde sofre de um grave problema: as pessoas fazem xixi no chão literalmente em qualquer lugar. Não importa se é homem ou mulher. Deu vontade, basta encontrar um canto e abaixar as calças. Para evitar esse costume nojento, o festival espalhou mictórios (inclusive para mulheres, onde elas podem agachar) por todos os lugares. Há mictórios até ao lado do palco, embaixo das caixas de som. Ou seja, se você estiver lá na frente, não precisa sair do show, basta ir ali no cantinho e fazer o xixi. Há mictórios também acoplados nas árvores, nas divisórias, ao lado dos restaurantes, nas grades, enfim, em praticamente todos os lugares. Mesmo assim, muitas pessoas ainda fazem no chão.

  • Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL
    Felipe Branco Cruz/UOL
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    Área de camping

    A cidade de Roskilde tem 50 mil habitantes, mas durante o festival, 50 mil barracas são montadas pelo público em um espaço de 350 campos de futebol nas proximidades do evento. O hábito de acampar nos festivais é bastante difundido na Europa, uma prática pouco comum no Brasil. Ao permitir que o público acampe, o festival evita que milhares de pessoas se desloquem todos os dias para o lugar e prolonga a diversão da galera, que continua dançando e bebendo na área de camping.

  • Imagem: Red Bull Content Pool/Divulgação
    Red Bull Content Pool/Divulgação
    Imagem: Red Bull Content Pool/Divulgação

    Esquenta antes dos portões abrirem

    É muito comum que o público dos festivais chegue antes dos portões abrirem. Em Roskilde, há algumas "cidades", que ficam do lado de fora das portarias do evento, com palcos, áreas de alimentação e banheiros. O público que chega antes, pode começar a curtir o festival ali mesmo e fazer o seu "esquenta" para o festival. Nada de ficar na portaria, debaixo de sol, em pé e entediado enquanto os portões não abrem. Os palcos do lado de fora contam uma programação eclética, geralmente com apresentações de bandas locais.

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    Felipe Branco Cruz/UOL
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    Sem fins lucrativos e com voluntários

    Cerca de 32 mil pessoas trabalham de graça, como voluntárias, para o Festival de Roskilde acontecer. Há praticamente em todos os lugares uma pessoa pronta para te ajudar. O festival é sem fins lucrativos desde 1972 e os voluntários são responsáveis por praticamente tudo no lugar, desde a montagem das áreas de alimentação, dos lounges, até o atendimento ao público. E toda a renda do evento é doada para instituições de caridade do país. Chega de reclamar da Lei Rouanet, não é?

  • Imagem: Felipe Branco Cruz/UOL
    Felipe Branco Cruz/UOL
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    Permitir cadeiras de praia, guardas-chuvas e mastros de bandeiras

    Por questões de segurança, os espaços de shows no Brasil possuem uma lista imensa de itens proibidos, que vão desde guarda-chuvas até a frutas. Em Roskilde, praticamente apenas arma de fogo e garrafas de vidro são proibidas de entrar. Por isso, é muito comum ver pessoas com cadeiras de praia, sentadas em algum canto enquanto esperam as suas atrações favoritas. Há ainda alguns grupos que produzem suas próprias bandeiras e com mastros de plástico gigantes eles a exibem durante os shows. O resultado é um visual incrível durante as apresentações.

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    Opções realmente diferenciadas de alimentação

    Cerca de 90% de toda a comida e a bebida em Roskilde é orgânica. Muitos festivais no Brasil se orgulham das suas praças de alimentação com diversas opções de comidas e chefs estrelados. Em Roskilde também há centenas de opções para comer, mas esqueça a palavra gourmet. Embora tudo seja muito gostoso, nenhum destes quiosques se gabaram de ter comida "gourmet". Eles tentavam se diferenciar pela criatividade, com um prato mais diferente do que o outro. Tem os clássicos cachorro-quente, hambúrguer e pizza. Mas tem também opções como hambúrguer com baratas e larvas comestíveis, várias opções vegetarianas e veganas e saladas feitas com verduras plantadas na área do festival. Leia mais

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    Lago para nadar e pescar

    Ok, nem todos os festivais possuem um lago próximo onde é possível nadar e pescar. Mas se a sua geografia permite, por que não? Em Roskilde, uns dois quilômetros distante da portaria do evento, na área de camping, há dois lagos. Em um deles é permitido nadar (e muita gente realmente nada ali - mesmo com as baixas temperaturas). O outro lago é repleto de peixes e, caso você tenha uma vara, é possível tentar pescar algum deles para consumo próprio, O festival organiza também ao redor desses lugares alguns eventos extras, como um blót (uma típica festa viking) e alguns shows de bandas locais.

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    Plataformas mais altas no fundo para o público de trás enxergar

    Se tem uma coisa que todo baixinho sofre em shows é com as pessoas mais altas na sua frente. Para ajudar a essas pessoas, no fundo e ao lado de todos os palcos há plataformas, como se fossem arquibancadas, de onde é possível ter uma visão melhor. As plataformas são bastante criativas, algumas são em forma de escadas, mas outras são parecidas com blocos de montar gigante e você vai escalando até chegar na parte mais alta.

    *O repórter viajou a convite da Red Bull Brasil

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