Música

Chico Buarque canta com netos, cita Tinder e usa funk em novo disco

Leo Aversa/Divulgação
Imagem: Leo Aversa/Divulgação

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

22/08/2017 13h37

O novo álbum de Chico Buarque, "Caravanas", só será lançado na sexta-feira (25) e já virou alvo de pedradas e elogios. Tudo por causa do único single divulgado até o momento, "Tua Cantiga".

A faixa foi acusada nas redes sociais de ser machista. Na letra ele canta sobre um homem que promete à amante largar a família para ficar com ela. Em resposta às críticas, o cantor escreveu no Facebook: "Será que é machismo um homem largar a família para ficar com a amante? Pelo contrário. Machismo é ficar com a família e a amante". 

Divulgação
Capa de "Caravanas" (2017) Imagem: Divulgação
Tudo que fez Chico ser Chico está lá: seu capricho com os versos, sua voz ligeiramente aguda, suas melodias e seus sambas. Sim. Este é um disco do Chico, mas claramente também é um esforço do artista em botar na rua um trabalho atual.

Os exemplos estão aí: ele gravou a faixa "Dueto" com sua neta Clara Buarque, 18, filha de Carlinhos Brown, e se mostra "antenado" ao brincar saber mexer no Google, Tinder, Facebook, WhatsApp, Snapchat, Telegram, Skype e até Orkut!

O outro neto, Chico Brown, 21, também filho de Carlinhos, participa da faixa "Massarandupió" tocando guitarra numa letra com rimas e redondilhas típicas do compositor.

E tem também o Instagram. Para lançar o álbum, Chico Buarque abriu uma conta na rede social onde tem publicado várias fotos e vídeos com os bastidores das gravações. Teve até memes com a capa do clássico "Chico Buarque de Hollanda" (1966).

Seu último disco de inéditas, "Chico", foi lançado há seis anos e este novo chega com apenas nove faixas, sendo apenas sete inéditas que começaram a ser escritas depois de 2015.

Após a audição, a impressão que fica é que única polêmica possível neste álbum não vem de suas letras "ultrapassadas" e sim da escassez de novas músicas inéditas.

Serviço:

"Caravanas" 
Preço: 
R$ 30 (álbum físico)
Lançamento: sexta-feira (25) em todos os serviços de streaming

Faixa a faixa

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    Imagem: Leo Aversa/Divulgação

    "Tua Cantiga"

    A única faixa já divulgada do álbum tem uma pegada romântica e delicada feita em parceria com Cristóvão Bastos. Na letra, Chico canta "Na nossa casa serás rainha, serás cruel, talvez / vais fazer manha, me aperrear, e eu sempre mais feliz". Mas o trecho que causou polêmica, diz: "Largo mulher e filhos / e de joelhos / vou te seguir".

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    "Blues Pra Bia"

    O título entrega: é um blues. Mas no coração da musa Bia não há lugar para meninos. Em meio a batidas sincopadas, metais e violões ele canta "até posso virar menina para ela me namorar". Xiii. Seria esta nova faixa a próxima a virar polêmica nas redes sociais?

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    "A Moça do Sonho"

    O samba não é inédito, embora seja a primeira vez que Chico a lance em um álbum. Ela foi composta para o musical "Cambaio", de João e Adriana Falcão em 2001. Na voz do compositor, a canção tem arranjos mais modestos, mas continua linda com versos mais atuais do que nunca: "Entre escadas que fogem dos pés / E relógios que rodam pra trás / Se eu pudesse encontrar meu amor / Não voltava / Jamais".

  • Imagem: Leo Aversa/Divulgação
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    Imagem: Leo Aversa/Divulgação

    "Jogo de Bola"

    Se Chico Buarque fosse cantar os dribles desconcertantes de Neymar, talvez ele cantasse essa música. "Jogo de Bola" é um samba despretensioso, assim como um jogo de várzea. Aqui, o compositor escreve sobre uma de suas maiores paixões, o futebol. Não duvide se a faixa tiver sido escrita após uma partida dos times Polytheama (de Chico Buarque) e Namorados da Noite, históricos rivais das partidas amadoras.

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    "Massarandupió"

    Chico Buarque gravou como neto Chico Brown, 21, essa faixa que poderia ser descrita como uma típica composição "buarquiana". A participação do neto aqui é nas guitarras, mas o jovem é um músico completo, capaz de tocar vários instrumentos. A faixa faz um jogo de palavras curioso, com rimas bem construídas. Como em "Ó mãe, pergunte ao pai / Quando ele vai soltar a minha mão / Onde é que o chão acaba / E principia toda a arrebentação".

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    "Dueto"

    Na sequência de "Massarandupió", outra neta de Chico surge em seu álbum. Agora é a vez de Clara Buarque dividir os vocais neste samba. A faixa não é inédita. Ela foi escrita em 1979 para o musical "O Rei de Ramos", de Dias Gomes. O final, no entanto, é bastante atual. Avô e neta brincam com os nomes das redes sociais e citam Tinder, Facebook, Whatsapp, Snapchat, Google, Telegram, Skype e até o Orkut.

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    "Casualmente"

    Chico volta a compor em espanhol neste bolero que tem também algumas partes em português. Na letra, Chico cita Havana, capital de Cuba, onde ele escuta uma mulher cantar. "La canción, la mujer / El crepúsculo, la catedral / Hasta el mar de La Habana es lo mismo, pero / No es igual / No es igual".

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    "Desaforos"

    Um disco de Chico Buarque não seria um disco de Chico Buarque se não tivesse um samba-canção. Nesta faixa, ele lamenta mas não se incomoda com os desaforos que escuta de uma mulher. "Custo a crer que meros lero-leros de um cantor possam te dar tal dissabor", canta. Seria uma mensagem subliminar?

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    Imagem: Leo Aversa/Divulgação

    "As Caravanas"

    A faixa que fecha o disco é também a mais moderna. Chico fala das comunidades do Rio até os apartamentos chiques da Zona Sul. A referência rítmica também viaja longas distâncias. Vai de citações da música "Caravan", de Duke Ellington, ao batidão do funk, com o beatbox executado por Mike, do Dream Team do Passinho.

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