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Mortes de cinco funkeiros na Baixada Santista continuam sem solução

Reprodução/Facebook
Os funkeiros MC Felipe Boladão, DJ Felipe da Praia Grande, MC Duda do Marapé, MC Primo e MC Careca Imagem: Reprodução/Facebook

Gabriel Mestieri

Do UOL, em São Paulo

12/07/2013 14h00

Três anos após a primeira morte da onda de ataques contra MCs na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, nenhum assassinato de funkeiro foi esclarecido pela polícia. Com a morte do MC Daleste, em Campinas, no último domingo, chegou a seis o número de funkeiros assassinados desde 2010 no Estado de São Paulo – ninguém está preso pelos crimes.

De acordo com a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), todos os crimes continuam sendo investigados, mas não há novidades nas apurações. Um dos casos foi relatado à Justiça como “autoria desconhecida”, mas também continua em aberto.

No dia 10 de abril de 2010, Felipe Wellington da Silva Cruz, o MC Felipe Boladão, e Felipe da Silva Gomes, o DJ Felipe da Praia Grande, estavam na Praia Grande se preparando para ir para Guarulhos, onde fariam uma apresentação. Eles aguardavam uma carona em frente a uma casa na Vila Glória, quando um homem desceu de uma moto e disparou contra os dois. Eles chegaram a ser levados ao pronto-socorro, mas não resistiram aos ferimentos.

Um ano depois, no dia 12 de abril de 2011, Eduardo Antônio Lara, o MC Duda do Marapé, foi assassinado no centro de Santos, na região conhecida como cracolândia da cidade. Segundo testemunhas, homens de moto passaram sob o elevado da rodoviária, onde estava Duda, e dispararam à queima-roupa. Ao menos nove tiros acertaram o MC. O caso foi relatado à Justiça como homicídio com autoria desconhecida.

Mais um ano depois, em 19 de abril de 2012, Jadielson da Silva Almeida, o MC Primo, levou cinco tiros no bairro Jóquei Clube, em São Vicente. De acordo com informações do jornal “A Tribuna”, de Santos, o MC foi morto dentro do carro, na frente dos filhos de cinco e nove anos, por dois homens encapuzados que estavam em outro carro.

Alguns dias mais tarde, em 28 de abril, Cristiano Carlos Martins, conhecido como MC Careca, foi assassinado no Conjunto Habitacional Dale Coutinho, no bairro Castelo, também em Santos. De acordo com outros funkeiros, ele recebeu ameaças antes do crime.

Já em junho de 2012, Julio Cesar Ferreira, conhecido como MC Neguinho do Caxeta, foi baleado enquanto dirigia na cidade de São Vicente. De acordo com a polícia, o carro de Ferreira ficou com mais de 15 perfurações de bala, e o MC foi atingido mais de uma vez. Levado a um hospital da cidade, Neguinho sobreviveu e publicou no Twitter no dia seguinte que estava fora de perigo. “Graças a DEUS está tudo bem. Entrei só de passagem para avisar vocês. Obrigado a todos que se preocuparam e fizeram orações por mim”, afirmou.

Procurado nesta semana pela reportagem do UOL para comentar a morte de Daleste e a impunidade nos ataques contra funkeiros no Estado, Neguinho do Caxeta afirmou, por meio de um representante, que não quer falar sobre o assunto.

O MC e o produtor de videoclipes de funk Konrad Dantas, conhecido como Kondzilla, lançariam na internet no último dia 10 o videoclipe de “A Firma Tá a Mil”, nova música do funkeiro, mas a estreia do clipe foi adiada por conta da morte de Daleste.

Nascido no litoral paulista, Kondzilla produz os clipes da maioria dos artistas do funk ostentação de São Paulo, que têm nas letras a adoração a carros, roupas, bebidas e acessórios caros e de marcas famosas. Procurado pelo UOL, ele também não quis falar sobre as mortes dos funkeiros.

O MC Daleste

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Daleste

A polícia também ainda não prendeu ninguém no caso da morte de Daniel Pellegrine, o MC Daleste, ocorrida em Campinas na madrugada do último domingo (7). Os investigadores acreditam que o atirador foi avisado por alguém de que o artista estaria em uma quermesse em Campinas. A apresentação de Daleste não estava prevista e foi feita de surpresa.

Depois de ouvir seis testemunhas, o titular da Delegacia de Homicídios de Campinas, Rui Pegolo, disse que o crime deve ter sido premeditado. O atirador estava em local privilegiado no momento dos disparos. “Acreditamos que tenha sido usada uma pistola. O que temos certeza é que o autor sabia atirar bem", disse o delegado.

Paz

No Facebook, há dezenas de grupos intitulados "O Funk pede paz". As oito maiores reúnem cerca de 100 mil pessoas. Nas comunidades, os internautas compartilham fotos e mensagens de luto pela morte de Daleste e atos pedindo paz no funk.

Já há protestos marcados na avenida Paulista, às 15h de domingo (14), no vale do Anhangabaú, às 15h de terça (16), além de manifestações em cidades como Carapicuíba e Sorocaba.