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Em São Paulo, Justin Bieber se irrita e deixa palco sem cantar "Baby"

Carlos Minuano

Do UOL, em São Paulo

02/11/2013 23h40Atualizada em 03/11/2013 18h19

Com 1h15 de atraso, Justin Bieber se apresentou para 35 mil pessoas na Arena Anhembi, em São Paulo. Em meio a choradeiras, histeria e desmaios, o cantor  pop canadense tirou suspiros das fãs que esgotaram os ingressos do local. No entanto, no bis do show - momento em que ele cantaria "Baby" - uma garrafa d'água foi atirada contra seu microfone. Irritado, Bieber deixou o palco antes do gran finale.

Os bailarinos de Bieber ficaram paralisados ao verem o astro teen saindo do palco. Esperançosos, eles até tentaram aguardar a volta do cantor, mas em vão. Ele não apareceu e muitas fãs caíram novamente no choro. "Alguém tem que pedir desculpa para ele", disse uma delas.

Poucas horas após o show, as hashtags "#SorryJustinFromBrazil" e "#BrazilSorryJustin" entraram para os trending topics mundial. Fãs de todas as partes do mundo tentaram se desculpar com o cantor pelo ocorrido no Brasil. Ainda na rede social, Bieber agradeceu o amor dos fãs e aproveitou para dizer que neste domingo faz mais um show no país, no Rio de Janeiro.

Mesmo dando chá de cadeira nas fãs, Justin empolgou o público paulistano abrindo o show da turnê "Believe" com o hit "All Around the World". Pedindo que o público fizesse muito barulho, ele disse: "E aí, São Paulo?! Estão prontos para uma aventura esta noite? Sou o Justin Bieber e quero levar vocês. Pulem, pulem!".

O ponto alto da apresentação foi o momento que escolheu uma felizarda para subir ao palco que ganhou a tão desejada coroa de flores no hit "One Less Lonely Girl". A partir daí o choro coletivo ganhou nova motivação. A frase mais ouvida era: “Queria ter sido a escolhida”. 

Incorporando um sex symbol, Bieber fez trocas de roupas e levou a garotada ao delírio ao tirar a camisa em “As Long As You Love Me”. “Vocês se importam se eu ficar mais à vontade?", perguntou ao público, enquanto arriscava uma dancinha sensual. Nem precisaria dizer que a gritaria aumentou um bocado.

Lágrimas e desmaios

Embora sem registro de ocorrências graves, muitas fãs passaram mal. Choro incontrolável era um dos sintomas mais comuns. O motivo, quase sempre o mesmo: má alimentação, desidratação, horas sem dormir, muito sol na cabeça e, por fim, o ingrediente principal: emoções em estado de erupção. A combinação levou centenas ao posto médico. A capacidade de 20 pessoas em vários momentos não foi suficiente para atender a demanda das muitas fãs aflitas.

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O Anhembi, de fato, se transformou num mar de lágrimas. Para qualquer direção que se olhasse havia uma jovem em prantos. Difícil era entender por que, pois atrás de cada choro havia uma história diferente. Pouco antes do início do show, em um uma área reservada, dezenas de meninas choravam de emoção, afinal aguardavam o ídolo para uma fotinho exclusiva. Claro que para isso tiveram que desembolsar cada uma US$ 1.275.

 

Perto dali, próximo ao palco, o drama era outro. Juliana Coutinho, 14, chorava de arrependimento. Chegou a ficar bem perto do palco, como queria, mas não suportou o aperto. Depois de quatro minutos sem respirar, abandonou o almejado lugar. Mas não conseguia depois conter o soluço e o choro. “Daqui não vou conseguir ver nada”, repetia para a mãe, a cada dez segundos.

Em alguns momentos a garota espantava o desconsolo ajudando as muitas pessoas que passavam mal, próximo da grade da pista, local bem mais distante do palco. “Uma garota teve até um ataque epiléptico”, conta.

A aventura para a jovem e um grupo de amigas, começou na noite anterior. Elas chegaram à 0h de sexta, 1. Segundo a menina, já havia uma fila imensa de fãs. “O lugar que sobrou pra gente foi em cima da tampa de um bueiro”, relembra a amiga Nicole Liz, 13. Sem barracas, dividiram alguns poucos cobertores e travesseiros.

Em meio a tantas meninas, um garoto acenava para a reportagem do UOL. Tiago Antunes, aos gritos dizia orgulhoso que estava lá desde 14 de setembro. “Ele já desmaiou três vezes, mas não desgruda dessa grade”, entregou a jovem ao lado dele.

Outra fã inconsolada lamentava a tentativa frustrada de se aproximar do ídolo teen. Alessandra Corso, 13, se hospedou no hotel em que Justin Bieber se hospedou em São Paulo, o Holiday Inn. “Cheguei lá sexta à noite e sai no sábado às 15h, gastei R$ 400, e não vi absolutamente nada”, lamenta a jovem.

Pra aumentar o desgosto da garota, na entrada da Arena Anhembi, o Pateta de pelúcia que ela tinha comprado na Disney e que pretendia jogar no palco para Bieber foi barrado durante a revista. “Jogaram no lixo”, lamentou Alessandra. “A segurança alegou que não era permitida a entrada de ursinho de pelúcia, pode isso?”, disse indignada a garota. E a via crucis de Alessandra ainda incluiu três visitas ao ambulatório, uma delas por desmaio.

Apesar da choradeira e das muitas reclamações e dramas, a imensa maioria curtiu o show, que contou com estrutura de palco gigantesca, telões e elementos cenográficos de alta tecnologia, até então nunca antes usada pelo astro canadense. Bieber se apresenta no Rio, neste domingo, 3, na Praça da Apoteose. Em seguida, a turnê “Believe” segue para Paraguai, Argentina e Chile.

Fãs ficam sem banho e perdem prova

Um dia antes do show de Justin Bieber em São Paulo, fãs do cantor pop superlotam a rua Olavo Fontoura, em frente ao Anhembi – local da apresentação. Muitos deles estão sem tomar banho, faltaram na escola, perderam provas, enfrentaram calor e frio e não desgrudam das barracas, transformando a calçada em uma espécie de Woodstock brasileiro adolescente. Assista ao vídeo acima.

Em clima de festa, gritos e ansiedade para ver o ídolo, muitos pais acompanham seus filhos para realizar o sonho deles, perdem dias de trabalho e passam as noites dentro de uma barraca pequena e com pouco aconchego.

Mas nem sempre foi assim. Adolescentes e jovens só voltaram a montar barracas no local no início desta semana. Proibidos pelo Conselho Tutelar e Guarda Civil Metropolitana desde o final de setembro, eles ignoraram a medida e formaram um grande acampamento no lugar.

De acordo com a assessoria do Anhembi, não houve nenhuma liberação de nenhum dos órgãos para que as fãs voltassem a se instalar no local. "Elas não podem ficar ali porque atrapalham o fluxo e é muito perigoso. Além de tudo, muitas são menores de idade", explicou o assessor, que aguarda um posicionamento do Conselho Tutelar e da Subprefeitura de Santana.

Procurada pelo UOL, a subprefeitura de Santana/Tucuruvi disse que tem realizado vistorias diárias na região do Sambódromo em razão da proximidade do show. "As pessoas estão sendo orientadas a preservar o espaço mínimo, para garantir a circulação de pedestres na calçada", diz o órgão em comunicado. E acrescenta: "Não há liberação por parte da subprefeitura para a montagem de barracas".

Os fãs estão no local desde o dia 13 de setembro. Inicialmente, montavam barracas e acampavam no portão 29 do Anhembi.

No entanto, depois que a Secretaria Municipal de Ordem Pública do Rio de Janeiro determinou que barracas não fossem montadas em frente ao sambódromo da cidade, as novas medidas chegaram a São Paulo. Desde o dia 26 de setembro, as paulistas também foram proibidas de acampar na rua à espera de Justin. Segundo a assessoria das subprefeituras de São Paulo, as barracas foram retiradas com ajuda do Conselho Tutelar e da Guarda Civil Metropolitana por "uso irregular do solo e obstrução de passagem".

No dia 3 de outubro, a equipe do UOL esteve no local e conversou com as fãs que relataram alguns perrengues passados por elas desde o primeiro dia que se instalaram no Anhembi.

"No dia em que tiraram as barracas, vieram muitos policiais aqui e, se a gente não saísse, iam tirar à força e pegar tudo o que tinha no chão. Falaram que se a gente dormisse aqui, os pais poderiam até responder processo", contou ao UOL a estudante T. G., de 17 anos. Ela é uma dos 280 fãs que se dividem em grupos e se revezam diariamente para "marcar território" em frente ao Anhembi, mesmo sem barraca.

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