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Promessa do pagode, Dilsinho rejeita rótulos e investe em mistura musical

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O cantor e compositor Dilsinho, promessa do pagode Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, de São Paulo

13/02/2014 14h25

O carioca Dilson Scher, o Dilsinho, acaba de fechar o ciclo mais traiçoeiro na vida de um músico. Foram sete anos desde as primeiras composições, passando pelo circuito de bares e restaurantes da Ilha do Governador, no Rio, onde ainda mora, até a gravação de seu álbum de estreia, homônimo, recém-chegado às lojas.

Nesse meio-tempo, o cantor de 21 anos teve músicas gravadas por nomes do porte de Alexandre Pires (“Maluca, Pirada”), Thiaguinho (“Na Beira do Prato”) e Sorriso Maroto ("Aí que Eu Gosto e Vou pra Cima” e “Pra Você Escutar"). E é Bruno Cardoso, vocalista do grupo, quem assina a produção do disco. O currículo de respeito é suficiente para apontar Dilsinho como a principal promessa do pagode na atualidade.

Falando ao UOL por telefone, sério e de voz calma, o músico diz rejeitar qualquer tipo de rótulo. Ele, que já foi descrito como o “novo galã do pagode”, prefere focar em lapidar o próprio estilo. Em suas palavras, algo distante dos estereótipos do meio em que transita.

“Ainda é tudo meio novo pra mim. E achei engraçada essa história de galã. As pessoas acabam fazendo uma brincadeira. E, no samba e o pagode, existe muito estereótipo. De que a gente gosta de festa, de beber, de zoação. E o que eu vivo é totalmente o contrário disso”, conta.

Tão ouvinte de Arlindo Cruz quanto de John Mayer e Justin Timberlake, o "bom moço" capricha no visual. De barba e sobrancelhas devidamente aparadas, ele crê em um grande trunfo: saber absorver as influências gringas, dando fôlego a um gênero que vive da nostalgia e emplaca cada vez menos hits nas rádios.

“Tenho escutado de jornalistas que eles ouviram o CD e não conseguiram definir o meu estilo musical. E era isso o que eu mais queria: soar não só como algo novo, mas como algo original, com a minha cara”

Exemplo dessa amálgama, "Já que Você Não me Quer Mais", sua primeira música de trabalho, é uma cover do grupo carioca de pop rock Seu Cuca. Com roupagem moderna, mas sem se distanciar da cadência clássica do estilo, a faixa já entrou para a programação de rádios de cidades como Campinas, Ribeirão Preto, Belo Horizonte e Brasília.

E é em grandes praças como essas que o cantor planeja se apresentar em sua turnê de estreia, seguindo os passos de seus asseclas. “Até pelo momento da música e das gravadoras, é difícil surgir artistas novos no samba e pagode hoje em dia”, afirma o músico. “Mas acho que o gênero já está em fase de renovação. Eu sou um artista novo, e a gravadora podia ter escolhido vários outros para assinar, mas escolheram um artista do samba e pagode.”