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Em show de 2 h 45 min, Foo Fighters encarnam adolescentes em estreia no RS

Alexandre de Santi

Do UOL, em Porto Alegre

21/01/2015 21h42Atualizada em 23/01/2015 17h50

Pela terceira vez no país —a primeira fora de festivais—, o Foo Fighters desembarcou em Porto Alegre nesta quarta-feira (21) disposto a mostrar que continua com fôlego de adolescentes mesmo após duas décadas de estrada e dois anos movimentados. No Brasil com a missão de divulgar seu oitavo disco, "Sonic Highways", lançado em novembro, Dave Grohl e equipe subiram ao palco do Estacionamento da Fiergs às 21h21 —um atraso de 20 minutos— para encarar uma longa e energética sessão de 2h45 de rock.

O público, que comprou todos os 30 mil ingressos disponíveis e ainda encarou trânsito caótico para chegar ao evento (localizado numa região afastada do centro de Porto Alegre), recebeu o Foo Fighters com entusiasmo. Para dar início ao show, Grohl teve de pedir silêncio à plateia antes de soltar os acordes delicados que abrem "Something from Nothing", a primeira faixa do novo álbum.

O som baixo para os padrões do rock não esfriou o público (era possível conversar a 30 metros do palco). Os Fighters emendaram "The Pretender", e as 30 mil vozes responderam abafando o som da banda no refrão. "You are fucking loud! (“Vocês cantam muito alto!”)", disse o vocalista após a segunda música, logo antes de colocar os fãs para pular com o hit "Learn to Fly".

Na capital gaúcha, o Foo Fighters mostrou que está em forma após uma jornada exaustiva que começou em 2013 para a gravação do último disco. O projeto levou a banda a oito cidades diferentes, num passeio de costa a costa pelos Estados Unidos e que ainda virou série de televisão. Mas o grupo soube equilibrar a necessidade de promover as novidades recentes e atender aos fãs na sua primeira passagem por Porto Alegre. Em “Arlandria”, a quinta do set de 26 músicas, Grohl comandou o coro e se mostrou surpreso com a receptividade. “Eu gosto de vocês, vocês são muito legais. Hoje, nós vamos tocar bastante. Nunca estivemos aqui, temos 20 anos para espremer em três horas”, disse o carismático vocalista do sexteto.

Na metade do show, depois de encerrar “Monkey Wrench” com uma sequência de solos introspectivos, Grohl pegou o violão para um momento mais íntimo no corredor avançado do palco, a um metro do setor de pista, um agrado simpático aos fãs que pagam ingressos mais baratos e se espremem por horas para ficar o mais próximo possível ao palco —e que sofrem com as estruturas de apoio que prejudicam a visão de quem está longe. O vocalista cantou sozinho “Skin and Bones” e “Wheels”. Depois, começou ainda solitário no hit “Times Like These” enquanto um palco era erguido na metade do corredor com o resto da banda, que se uniu ao frontman na canção do disco “One by One”, de 2002.

Em cima do minipalco, o Foo Fighters se transforma numa típica banda cover de um pequeno pub. Foram quatro músicas: “Detroit Rock City” (do Kiss), “Miss You” (dos Rolling Stones), “Tie Your Mother Down” e “Under Pressure” (ambas do Queen). Antes de cada uma delas, o palco girava sobre o próprio eixo para se virar para um lado diferente da plateia. “Tie Your Mother Down” teve o baterista Taylor Hawkins imitando Freddie Mercury nos vocais, mas sua voz pouco potente sumia entre as guitarras distorcidas e teclados, problema que ocorreu nas outras canções lideradas por Hawkins e chegou a prejudicar o próprio Grohl em alguns momentos.

Enquanto isso, o vocalista principal voltava à bateria, relembrando os tempos de Nirvana, quando atacava nas baquetas à sombra de Kurt Cobain —o líder dos Fighters é um caso raro de coadjuvante de uma banda mítica que conseguiu se reinventar como protagonista de outro projeto tão bem sucedido comercialmente quanto o original.

Antes de voltar ao espaçoso palco original, Grohl explicou os covers: “Estamos prestando homenagens aos nossos heróis. Quando tínhamos as nossas primeiras bandas, tocávamos essas canções por que nós amávamos música. E continuamos tocando por que seguimos amando a música”.

Se faltou nitidez nos vocais (a nota negativa da noite), o Foo Fighters pelo menos pôde contar com o reforço da plateia nas últimas músicas da maratona. Os fãs seguiram cantando o refrão de “Best of You” depois do fim da música e parecem ter ganhado um espaço no coração da banda. “You are a fucking amazing audience” (“Vocês são uma plateia incrível”, em português mais polido), disse Grohl. “Não gosto de dizer tchau porque eu sei que voltaremos”, prometeu antes de fechar a noite com um último blockbuster: “Everlong”. E foi embora sem bis, como de hábito (Grohl deixa bem claro ao longo do show que a banda encerra de verdade quando sai do palco).

O grupo repetiu quase todo o repertório executado no domingo (18) em La Plata, na Argentina, com a exceção de três músicas. Mas o Foo Fighters levou para Santiago do Chile, no dia 15, quando chegou à América do Sul, canções que não foram apresentadas aos fãs argentinos e porto-alegrenses. Portanto, o público brasileiro pode ter esperanças de ver outros hits na sequência da turnê, uma boa notícia em tempos de repertórios engessados em função de uma organização de shows que privilegia a sincronia do setlist com recursos de imagem e o mínimo de imprevistos que possam diminuir o pique do público.

Da capital gaúcha, a banda segue para São Paulo (23), no Morumbi, Rio de Janeiro (25), no Maracanã, e Belo Horizonte (28), na Esplanada do Mineirão.

O repertório de Porto Alegre:

1. Something from Nothing
2. The Pretender
3. Learn to Fly
4. Breakout
5. Arlandria
6. Generator
7. My Hero
8. Congregation
9. Walk
10. Cold Day in the Sun
11. In the Clear
12. I´ll Stick Around
13. Monkey Wrench
14. Skin and bones
15. Wheels
16. Times Like These
17. Detroit Rock City (Kiss)
18. Miss You (Rolling Stones)
19. Tie your mother down (Queen)
20. Under Pressure (Queen)
21. All My Life
22. These Days
23. Rope
24. Outside
25. Best of you
26. Everlong