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Em show que exalta o caos, líder do Ministry estranha fogos do Rock in Rio

Marco de Castro

Do UOL, no Rio

19/09/2015 18h16

A apresentação do Ministry, banda de metal industrial na ativa desde os anos 1980, estava em seu ápice no Rock in Rio 2015, com o público pogando e batendo cabeça insanamente ao som do clássico "So What", quando os fogos que marcam diariamente a abertura do Palco Mundo começaram a estourar, às 19h, anunciando o grupo francês Gojira. Sem entender o significado do show pirotécnico, o líder e vocalista do Ministry, Al Jourgensen, passou a gesticular, apontando para os fogos, e a cochichar com os outros músicos da banda, dando risada e parecendo questionar: "O que é isso?".

Com um som que mistura sintetizadores e guitarras pesadíssimas com letras inspiradas no lado podre do capitalismo e do "way of life" americano, o Ministry, de fato, não combina em nada com fogos de artifício. O show, o primeiro da banda no Rio de Janeiro --no Brasil, só havia tocado em São Paulo uma vez, no início deste ano-- foi uma verdadeira ode ao caos.

Atrás de seu tradicional pedestal de microfone, decorado com ossos e um crânio, Jourgensen, 56, soltou a voz rouca e distorcida, cuspiu diversas vezes no chão e incitou a plateia a bater palmas, pular e enlouquecer, enquanto um telão no fundo do palco mostrava imagens de guerra, políticos, drogas e violência.

Grande parte da performance teve como base o repertório mais recente do grupo, abrindo com "Hail to His Majesty", seguida de "Punch in the Face" e "Fairly Unbalance", todas do último álbum, "From Beer to Eternity" (2013). Em seguida, vieram outras pauladas, como "Rio Grande Blood", "LiesLiesLies" e "Worthless", todas lançadas nos anos 2000.

Até aí, o show já estava agressivo, pesado e violento. Foi quando Jourgensen chamou ao palco o amigo Burton C. Bell, vocalista de outra banda clássica da vertente industrial, o Fear Factory. Daí para frente, seguiram-se quatro canções dos principais álbuns do grupo, "Psalm 69" (1992) --"N.W.O." e "Just One Fix"-- e "The Mind Is a Terrible Thing to Taste" (1989) --"Thieves" e "So What".

Foi uma pena que, mesmo com uma hora de show, a banda não tenha permitido a presença de outros clássicos como "Breathe", "Burning Inside" o "Jesus Built My Hotrod", mas foi o bastante para o Minsitry dar o recado e mostrar que ainda é um dos principais nomes do metal. Com Jourgensen ainda zombando dos fogos do Rock in Rio e atirando com desprezo o microfone no chão, a banda se retirou do palco pouco após as 19h.