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Skrillex promove "exorcismo" coletivo em noite de lama no EDC Brasil

Marcus Couto Brasil

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/12/2015 07h39

Milhares de pessoas se contorciam, gritavam e pulavam, com lama até as canelas, como se estivessem "possuídas" por espíritos malignos. Mas, na madrugada neste domingo (6), não havia nenhum padre no alto do palco do Electric Daisy Carnival (EDC) Brasil, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Quem conduzia o "exorcismo" coletivo, vestindo uma camisa do Corinthians, era o DJ e produtor norte-americano Skrillex, atração principal da segunda noite da edição brasileira do festival de música eletrônica, que surgiu em Los Angeles, em 1997, e desde então se espalhou pelos Estados Unidos e por países como México e Reino Unido.

Skrillex é um dos artistas mais populares do electro atual e se apresenta em grandes festivais pelo mundo. Ele vive a melhor fase de sua carreira, após assinar o hit “Where Are Ü Now”, parceria com o produtor Diplo, que conta com os vocais de Justin Bieber. No EDC Brasil, o DJ fez um set de uma hora, em que tocou remixes de sucessos como “Hotline Bling”, do rapper canadense Drake, e “Bitch Better Have My Money”, da cantora Rihanna. As faixas se misturavam com produções próprias de Skrillex num frenético pot-pourri.

O músico fez sua fama com uma sonoridade baseada em batidas quebradas e linhas de baixo distorcidas ao extremo – uma mistura de drum’n’bass, techno e dubstep. O resultado são melodias sintéticas e pesadas, que funcionam na base dos picos e vales: o set se encaminha para momentos de excitação e cai depois numa pancadaria dominada pela bateria eletrônica e por sintetizadores agressivos. É comum ver rodas se formando na plateia durante os shows de Skrillex. O público aproveita para descarregar as energias, dançando ao extremo.

O norte-americano tocou faixas do disco “Bangarang” (2011), como "Breakn' Sweat", "The Devil's Den" (com referências satanistas no telão) e "Kyoto". Houve espaço também para homenagens ao Brasil. O show começou com o “Rap das Armas”, dos MCs Cidinho e Doca, e teve até remix de “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”, de João Lucas e Marcelo. No fim, o DJ foi à beira do palco com a bandeira nacional em uma haste e agradeceu à multidão que lotava o autódromo.

50 mil fãs e interrupção por chuva

O segundo dia do EDC Brasil recebeu 50 mil pessoas, de acordo com os organizadores. Nas duas noites, o festival levou 90 mil participantes ao tradicional palco da F-1 e, mais recentemente, do Lollapalooza. No início da noite de sábado, o público enfrentou chuva pesada. Por causa dos raios, o som chegou a ser desligado, e o festival foi interrompido por alguns minutos. A chuva voltaria a cair ao longo da noite, mas com menor intensidade. A lama, no entanto, ficou. O palco bassPod parecia uma grande poça, e quem entrou lá teve que deixar os calçados de molho ao voltar para casa. Ali, o duo americano GTA fez um dos sets mais animados da noite, e a lama espirrou para todos os lados.

Antes de Skrillex, o grupo inglês Above & Beyond fez um set enérgico de trance no palco principal. Projeções de fractais e paisagens naturais, acompanhadas por frases contemplativas como “o brilho do sol está em seus olhos”, completavam o som baseado em teclados sintetizadores "viajantes".

Após a meia-noite, o palco NeonGarden foi dominado pelo techno – mais linear e repetitivo que o som ouvido nas outras áreas. Ali, o suíço Luciano fez um set de duas horas emoldurado por um enorme paredão de LED. A plateia respondeu animada até o fim. Em seguida, foi a vez do canadense Marc Houle, que seguiu com uma sonoridade semelhante, mas um pouco mais fria.

Além das atrações musicais, brinquedos e shows de malabarismo espalhados pelo autódromo garantiram a diversão do público no EDC. Desde 1997, o evento se tornou uma das maiores franquias de festivais de música eletrônica do mundo. Em uma das edições deste ano, nos Estados Unidos, levou 400 mil pessoas para uma festa de três dias seguidos.