Música

Indio Solari, o cantor que atrai milhares de devotos aos seus shows

Luis Abdala/AFP
11.mar.2017 - Show de Carlos "Indio" Solari em Olavarria, na Argentina Imagem: Luis Abdala/AFP

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

13/03/2017 14h30

A palavra “peregrinação” descreve com precisão o deslocamento de pelo menos 350 mil argentinos neste final de semana para a cidade de Olavarría, a 350 km de Buenos Aires. Ao todo, cerca de 100 mil veículos chegaram ao lugar, quase a população local, de 130 mil habitantes. O motivo? O show do cantor Carlos “Índio” Solari, 68, uma das maiores celebridades da Argentina, cujo o trabalho é acompanhado com verdadeira devoção por lá.

Os administradores do município já aguardavam uma multidão mas, segundo entrevistas concedidas à imprensa local, eles não esperavam tantas pessoas e a situação saiu do controle. O tumulto foi tão grande que a “avalanche humana”, conforme foi descrita pelo prefeito Ezequiel Galli, deixou dois mortos e dezenas de feridos.

A título de comparação, o público do show foi superior ao dia mais lotado do Rock in Rio, em 2001, quando 200 mil pessoas foram à Cidade do Rock, causando um verdadeiro nó no trânsito da cidade. Detalhe, naquele dia as atrações eram Red Hot Chili Peppers, Deftones e Silverchair. Bandas muito mais conhecidas do que o argentino.

Mas, quem é Índio Solari, endeusado na Argentina, comparado a Evita Perón e Maradona, mas praticamente desconhecido para os brasileiros?

Índio ficou famoso como vocalista da banda de rock Patricio Rey Y Sus Redonditos de Ricota entre 1976 e 2001. Depois disso, ele formou um novo grupo, o Los Fundamentalistas Del Aire Acondicionado. O auge de sua carreira ocorreu nos anos 80, num dos piores períodos da ditadura militar argentina. As apresentações ao vivo de Índio são conhecidas pelas confusões e por promoverem a “maior roda de pogo do mundo” (quando uma clareira se abre na plateia com os fãs dançado no meio). 

Pablo Hugo Funes
Foto aérea do local do show do Indio Solari Imagem: Pablo Hugo Funes

Avesso à imprensa, o artista dá poucas entrevistas e vive recluso. Suas apresentações quase sempre atraem grande público, já que são muito raras. A de Olavarría, no último sábado (11), ganhou ainda mais notoriedade porque o cantor anunciou recentemente que sofre de Mal de Parkinson e os fãs se mobilizaram para vê-lo ao vivo enquanto ele ainda consegue cantar.

As apresentações de Indio foram descritas em uma reportagem da BBC como um “ritual em que milhares de argentinos assistem com a mesma fidelidade e energia que um devoto religioso que vai a um templo” e os shows são chamados de Missa Ricotera (em referência ao nome de sua primeira banda). Por causa das multidões de fãs, o governo argentino proibiu há alguns anos que seus espetáculos fossem realizados na cidade de Buenos Aires, ocorrendo sempre em locais mais afastados da capital federal.

A tragédia em Olavarría deixou o país consternado e foi apontada pela imprensa argentina como algo previsível. O público começou a chegar ao local alguns dias antes. As pessoas acamparam na beira da estrada e promoveram, segundo a BBC, uma nuvem de fumaça permanente, proveniente dos tradicionais churrascos argentinos. Os “ricoteros” passaram os dias anteriores comendo choripan (tradicional sanduíche argentino) e tomando a cerveja mais gelada que o abraço do Maurício Macri (presidente da Argentina).

Em uma entrevista coletiva, o prefeito Galli afirmou que "o operacional de saída (do espetáculo) estava preparado para a metade das pessoas que havia. A situação entrou em colapso". O local onde o evento ocorreu estava preparado para receber 200 mil pessoas, ou seja, 150 mil a menos do total divulgado. Após o show, centenas de jovens ainda estavam na cidade, pois não conseguiram retornar para Buenos Aires e, descontrolados, saquearem restaurantes e outros estabelecimentos.

Hernan Leonardi/AP
Multidão no show de Carlos "Indio" Solari em Olavarria, na Argentina, onde morreram duas pessoas Imagem: Hernan Leonardi/AP

Veja o momento do acidente

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