Rock in Rio

Por que o Rock in Rio "excluiu" o metal da programação? Músicos respondem

Folhapress/UOL/Montagem
Iron Maiden, Metallica, Motörhead e Slipknot: nomes do som pesado que já tocaram no Rock in Rio Imagem: Folhapress/UOL/Montagem

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

17/03/2017 04h00

Apostar no chamado "dia do metal", reunindo diversas e apenas bandas do estilo, é uma das marcas do Rock in Rio desde 2011. Ou pelo menos era. Com todas as atrações principais confirmadas para este ano, a impressão é a de que o estilo mais pesado da música foi jogado para escanteio.

Dos 33 nomes confirmados até aqui --desconsiderando o hard rock de Aerosmith, Guns N´Roses e Alice Cooper--, apenas Sepultura e Alter Bridge podem ser enquadrados no gênero. E, para alguns, apenas o Sepultura. Seja como for, é certo que este será o Rock in Rio brasileiro menos headbanger da história.

Crise do metal? Desinteresse? Preconceito contra os "camisas pretas"? Segundo a produção do Rock in Rio, nada disso ocorreu. O que mais pesou na exclusão foi a impossibilidade de trazer um grande headliner internacional, como foram Iron Maiden, Metallica, Slipknot em edições recentes.

"Com base nas agendas de artistas disponíveis para participar do evento e tendo em vista o grande espaço dedicado ao heavy metal em 2015, a organização optou por não ter um dia dedicado ao gênero", afirmou a organização do festival ao UOL.

Mas o que significa para um dos estilos que mais desperta paixões ser preterido no maior festival de música do país, um dos maiores do mundo? Para tentar entender, ouvimos cinco representantes da cena.

Joshua Bryan/ AgNews
Imagem: Joshua Bryan/ AgNews

Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, que se apresentará este ano no Rock in Rio

[Não ter um dia dedicado ao metal] Não tem nada a ver com o metal estar em baixa. Pelo contrário, o metal está em um dos seus melhores momentos, com muito público e muitas bandas. Acho que tem a ver com o contrário: o momento é tão bom que a galera está toda ocupada, tocando e gravando. Estou feliz de estar tocando mais uma vez, mas o Sepultura nunca dependeu de um "dia metal" para se encaixar em festivais. Acho que quem perde mesmo são as bandas novas, que de repente teriam mais oportunidade em um dia específico. Principalmente no palco Sunset, como já aconteceu com o República, o Dr. Sin e o Krisiun com o Destruction. É difícil ter em um festival tanto espaço assim para as bandas de metal.

Pati Patah
Imagem: Pati Patah

Rafael Bittencourt, guitarrista do Angra, que tocou no Rock in Rio em 2015

Acho que o festival está encaminhando para ser uma coisa cada vez mais popular. E eu não sei se as grandes bandas de metal estão em turnê neste momento. Isso deve ter influenciado. Eu torço pelo heavy metal, para o rock pesado, mas o Rock in Rio é um festival muito grande e que ultrapassa fronteiras de público. Talvez eles também não quisessem segmentar demais agora, trazendo o público geral para conhecer o metal e vice-versa, o que é uma vantagem, já que o público do metal hoje em dia é bem mais cabeça aberta. A gente respeita a decisão do Rock in Rio, mas fica chateado. Isso não tem a ver com a cena. É fato que o metal está voltando. O Grammy que o Megadeth ganhou, inclusive, trouxe várias bandas novas indicadas na categoria de metal.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Marcello Pompeu, produtor e vocalista do Korzus, atração do Rock in Rio em 2011

Fico decepcionado com isso [menos metal no Rock in Rio] porque, se o festival tem uma característica, é ser aberto a todos os estilos. Desde que o Rock in Rio voltou ao Brasil, a quantidade de bandas de heavy metal brasileira vinha aumentando a cada ano. Eu lamento porque luto pelo metal brasileiro. Respeito o [presidente, Roberto] Medina, que é o único empresário que realmente assiste à cena brasileira como ela é, mas, sinceramente, quero que tudo isso se f*. Quem precisa realmente do Rock in Rio são as bandas do Brasil, não esses headliners que não têm mais onde enfiar dinheiro, prestígio e fama. Também sei que sempre haverá preconceito com o metal. É uma música complexa, difícil de ser tocada e que exige determinação e estudo. Nenhuma das nossas músicas traz mensagem de diminuição de alguém ou de ostentação. Ou seja, para o que a música brasileira é hoje, nós realmente somos nocivos.

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Claudio Vicentin, editor da revista "Roadie Crew"

Temos que destacar, primeiro, que o Rock in Rio sempre teve muitos estilos e não existe uma regra sobre existir um dia do metal. Agora, existe muito questionamento hoje sobre a renovação das grandes bandas de metal, que estão no final de carreira. Quais são os grupos que virão na sequência? Ainda não sabemos. Mas esse é num problema não só do Rock in Rio. É de qualquer organização de festival. Sabemos que o metal continua muito forte. Você tem bandas de muita qualidade chegando. Não vejo problema com o estilo em si. E temos que lembrar também que este ano o Metallica já vai tocar no Lollapalooza. E ainda teremos em São Paulo o Maximus Festival e, provavelmente, o Monsters of Rock, que com certeza estão puxando bandas que poderiam estar no Rock in Rio. Não é fácil montar um cast.

Reprodução
Imagem: Reprodução

Paulo Baron, empresário de bandas de metal

Quando o Rock in Rio nasceu, em 1985, o rock e o metal eram a música da moda, o que tocava no rádio. Era o momento da época. Hoje, quais bandas conseguiriam segurar um festival como headliner? Os tempos mudaram. Se o festival não tiver um headliner forte como Metallica ou Iron Maiden e decidir colocar 30, 50 bandas de metal, será que as pessoas iriam, se deslocando de outras cidades ou países para vê-las? Eu conheço os caras da produção do Rock in Rio, que "compram" as bandas, e eles são roqueiros. Mas a realidade é outra. Os grandes ídolos estão todos nos deixando. Está complicado. Eu trabalho com bandas que adoraria ver no festival, mas a gente tem que deixar esse romantismo de lado. É uma polêmica desnecessária. Isto se chama show business, não "show metal" ou "show rock".

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