Música

Sertanejo do futuro: Com batidas eletrônicas, gênero chega às pistas

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Com 23 anos, Zebu transformou "Medo Bobo" em hit das pistas Imagem: Divulgação

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

05/04/2017 13h22

As letras sinceronas do feminejo, a onda praieira de Bruninho & Davi e o coque no cabelo de Luan Santana já indicavam: a música sertaneja estava muito próxima de uma bem-vinda renovação. Há tempos flertando com outros gêneros, distante de suas raízes, o ritmo que mais cresce no Brasil agora está pronto para o futuro.

Os novos hits sertanejos que você mais respeita estão ganhando roupagens eletrônicas e remixes e podem parar em breve em algum festival. "Até vejo um dia, em um Lollapalooza ou Tomorrowland da vida, um cara tocando remix sertanejo", aposta Tulio, 20, do duo Quenix & Twinx.

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A dupla Quentin & Twinx Imagem: Divulgação
Residente em Cunha, no interior de São Paulo, a dupla formada há quatro meses escolheu um software de computador ao invés da viola e passou a recriar hits populares com os timbres do future bass. Com andamento menos frenético, sintetizadores e representantes em alta, como The Chainsmokers e Marshmello, é o braço da música eletrônica que tem dominado a programação das rádios e as pistas de dança.

A certeza de que a mistura dava combustão se deu em uma festa de pré-Carnaval. Ao mostrar a versão dançante de "Eu, Você, o Mar e Ela", de Luan Santana, com a voz do cantor pernambucano Donn, a dupla se surpreendeu. "Foi o momento em que a pista mais aqueceu", lembra. “Pude ver como o sertanejo é versátil e aberto para receber estilos dentro dele”.

Outra batida

Há três dias, Quenix e Twinx soltaram mais uma versão: "Te Assumi para o Brasil", de Matheus & Kauan, que já tem pelo menos cinco remixes diferentes circulando por plataformas como YouTube e Soundcloud. Mas por pouco tempo.

"As pessoas estão gostando cada vez mais de sertanejo. Os DJs vão perder o preconceito e passar a olhar mais para o gênero", acredita Zebu, 23. Ele largou a profissão de programador para se dedicar à música eletrônica e já foi convidado por gravadoras para assinar remixes oficiais.

Tudo porque sua versão de "Medo Bobo", de Maiara & Maraisa, disparou entre as mais ouvidas do Spotify, superando "Deu Onda" de MC G15, na lista dos virais globais no começo do ano. 

Com pegada mais latina, batida mais lenta --em torno dos 95 BPM-- e a voz suave do cantor Jão, também saído do YouTube, a versão foi apelidada por seu autor de "Future Sertanejo", uma brincadeira que passou a ser levado a sério por outros aspirantes a DJ.

Hoje, seu "Medo Bobo" tem mais de 1,5 milhão de execução na plataforma de streaming e integra o EP lançado no início do ano pela Universal, "Sertanejo Remix". Para ele, a sofrência dá aquele empurrão para a identificação do público. "Eu acho que é isso que falta no Brasil: música eletrônica com letra".

Deu onda

Além de estar no ponta da língua de qualquer brasileiro, o sertanejo tem criado sua própria 'vibe' com a produção mais caprichada e uma estética mais pop. "Aquela 'Acordando o Prédio', do Luan Santana, é bem mais moderna. Larga um pouco daquele sertanejo tradicional do Victor & Leo, que é sempre a mesma coisa, é o mesmo vibrato, sanfona para todo lado", observa o produtor Maffalda, que mantém com Gorky, integrante do Bonde do Rolê, o duo Brabo.

A mistura tem dado onda até mesmo nos festivais. Mais aberta, a Festa de Peão de Barretos tem recebido atrações da EDM com certa frequência em sua programação e, no Lollapalooza Brasil de 2015, Diplo surpreendeu ao tocar um remix de uma música de Wesley Safadão. "Se você falasse que essa música tocaria lá, provavelmente iam rir da sua cara", brinca Maffalda. "Mas foi o remix que mais bombou".

Depois de produzir discos de Luiza Possi e da drag queen Pabllo Vittar, a dupla Brabo foi convidada para repaginar "Não Teve Amor", do trabalho solo de Joelma, e foi parar na mesma coletânea que lançou Zebu com uma versão eletrônica --e mais frenética-- de "Farra, Pinga e Foguete", da dupla Bruno & Barreto.

"Estamos focando em músicas autorais, mas mirando para todos os lados que dê para fazer um crossover legal", diz Maffalda. "O sertanejo é um gênero muito maleável, com músicas em todos os andamentos possíveis. Uma hora ela vai encaixar com alguma coisa".

Com um hit nas mãos, Zebu concorda: "Hoje ninguém mais faz música para ficar preso ao universo sertanejo".

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