Música

Delegado diz que Belchior morreu de causas naturais: "Não estava doente"

Do UOL, no Rio

30/04/2017 18h43

O cantor Belchior morreu de causas naturais, aos 70 anos, enquanto ouvia música clássica em casa, na madrugada deste domingo (30), em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. A informação foi confirmado ao UOL pelo delegado Luciano Menezes. 

"O resultado da necropsia saiu há pouco. Segundo legista, houve dissecção dá aorta, causa natural. Não estava doente e não tinha histórico de problemas de saúde".
 
Na noite de sábado, o cantor queixou-se de frio, agasalhou-se e foi ouvir música clássica em um sofá, no quarto onde compunha músicas. "Não quis ir para o quarto com a mulher e hoje pela manhã foi por ela encontrado, já sem vida, deitado no mesmo sofá", completou o delegado.
 
Segundo relato, o cantor estava bem de saúde, não tomava remédios e levava a vida "como um monge". O socorro foi acionado, mas encontrou o cantor sem vida.
 

O corpo foi retirado da casa do artista por volta das 14h30, e seguiu para o Instituto Médico-Legal de Cachoeira do Sul, cidade cerca de 100 km distante de Santa Cruz do Sul, onde o resultado da necropsia indicou a causa da morte. 

A previsão é que o corpo de Belchior siga em um jatinho contratado pelo governo do Ceará na noite deste domingo. Ele deve deixar o aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre por volta da meia e chega no Ceará no início da manhã desta segunda-feira.
 
Em nota, o Governo do Ceará informa que "o corpo de Belchior deve chegar à capital cearense por volta das 5h30 da manhã desta segunda-feira (1). O corpo segue para ser velado em Sobral e depois retorna à  Fortaleza, onde deverá ocorrer o sepultamento na terça-feira (2)".
 
O governador Camilo Santana decretou luto oficial de três dias no Estado. “Recebi com profundo pesar a notícia da morte do cantor e compositor cearense Belchior. O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará e do Brasil". 
 
Vários artistas se manifestaram nas redes sociais para lamentar a morte do cantor e compositor Belchior, na madrugada deste domingo em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, aos 70 anos. Entre as homenagens, está a do cantor Guilherme Arantes, que destacou a importância dele no cenário musical.
 
"Belchior, que eu não canso de homenagear de todas as maneiras, foi e sempre será o melhor letrista de canções transformadoras que já existiu. Uma mente privilegiada em cultura e de talento cortante e visceral. Uma pessoa doce, querida, com a qual pude compartilhar muitos saraus em sua casa, com vinhos, literatura, muitas risadas, muita sabedoria e ensinamentos", escreveu Guilherme em seu Facebook.
 

 

Enigmático e "desaparecido"
 
Um dos compositores mais emblemáticos dos anos 1970, Antônio Carlos Belchior nasceu em 1946 em Sobral, no Ceará, onde trabalhou em rádio e bebeu direto na fonte do repente, influência sentida em suas letras. 
 
Nos anos 1970, depois de estudar filosofia e medicina, ligou-se a um grupo de jovens compositores cearenses que queriam seguir a carreira musical, entre eles o cantor Fagner.
 
Em 1972, foi descoberto por Elis Regina, ao lançar “Mucuripe”, canção sua com o amigo. Mais tarde, a gravação de Elis para "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida" impulsionou ainda mais a carreira do cantor. As duas canções, junto com "Apenas um Rapaz Latino Americano", estão no trabalho mais célebre de sua carreira, “Alucinação” (1976).
 
Nos últimos anos, Belchior ficou conhecido por ter abandonado a carreira, a família e os bens pessoais. Em agosto de 2009, foi dado como desaparecido pela família e amigos. O sumiço foi destaque até no jornal britânico "The Guardian". O artista, no entanto, foi visto pela cidade de Artigas, no Uruguai e, depois, em Porto Alegre.
 
Localizado pelo programa "Fantástico", o cantor se recusou a falar o motivo do desaparecimento, mas afirmou que estava compondo e fazendo shows. Santa Cruz do Sul era sua atual morada. 
 
Uma biografia do cantor, escrita pelo jornalista Jotabê Medeiros, será lançada em setembro pela editora Todavia.

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