Música

Detidas, bandas brasileiras recebem autorização para deixar Bangladesh

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Integrantes da banda gaúcha Krisiun, que foi impedida de se apresentar na Ásia Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

09/05/2017 17h07

As bandas brasileiras Krisiun e NervoChaos, que foram detidas nesta terça (9) em Daca, capital de Bangladesh, logo após desembarcarem no aeroporto internacional Hazrat Shahjala, foram liberadas para deixar na tarde desta quarta (horário local) o país, de onde partem para a China.

Os grupos foram abordados pela polícia local quando retiravam as bagagens das esteiras. Os passaportes dos músicos foram retidos, e eles tiveram de permanecer no aeroporto por dez horas, até a intervenção do consulado brasileiro em Bangladesh, nação de maioria muçulmana. Os shows no país tiveram de ser cancelados.

Já de posse dos recuperados, as bandas agora estão hospedadas em um hotel de Daca aguardando o horário do voo. Segundo os músicos, em nenhum momento autoridades locais ou consulado explicaram por que foram proibidos de entrar em Bangladesh. O UOL não obteve retorno nem do consulado brasileiro nem do Itamaraty até a publicação deste texto.

Temendo que a situação se repita, Krisiun e NervoChaos optaram por cancelar shows seguintes da turnê asiática em países considerados "politicamente radicais": China, Mongólia, Vietnã e Malásia (nos dois últimos, apenas o NervoChaos tocaria). As apresentações no Japão e Coreia do Sul, porém, seguem de pé.

"Nesses países, a gente já se apresentou. A gente sabe que são OK. Não queremos passar por isso de novo", diz ao UOL, por telefone, Moyses Kolesne, vocalista do Krisiun, uma das bandas brasileiras mais bem-sucedidas no exterior.

A gaúcha Krisiun e a paulista NervoChaos são representantes do subgênero death metal, o mais extremo e acelerado do metal, com letras muitas vezes versando sobre ocultismo e terror.

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A banda paulistana de death metal NervoChaos Imagem: Divulgação

Preconceito

"Acho que toda essa situação é fruto do preconceito de um país tão conservador, como o que acontecia no início do rock. Não temos nada contra nenhuma religião. Não somos satanistas. Fomos até Brasília para conseguir o visto, que está regular. Devíamos ter nos precavido e estudado melhor a situação antes de vir para cá", continua Kolesne.

Antes de desembarcar em Bangladesh, as bandas haviam participado sem incidentes do Hammersonic Festival, em Jacarta, na Indonésia. Segundo Moyses, caso não tivessem pedido intervenção do consulado, ele e os colegas poderiam ter recebido voz de prisão no aeroporto.

"É um lugar extremamente conservador, regido por leis que não são as nossas, baseadas no Alcorão. Eles podem ter interpretações diferentes das nossas. Tocamos metal, somos diferentes do que eles estão acostumados, e isso é difícil de ser aceito pelo conservadorismo", entende o baterista do NervoChaos, Edu Lane,

Para certificar que saiam do país em segurança, os integrantes do Krisiun e NervoChaos serão acompanhados por funcionário do consulado brasileiro até o momento do embarque.

Não é a primeira vez que grupos de heavy metal são proibidos de entrar em países regidos pelo islã. No ano passado, a banda suíca Eluveitie (também Bangladesh) e a brasileira Sepultura (no Egito) passaram por experiências semelhantes.

 

Retidos no aeroporto de Bangladesh pela imigração, sold out show cancelado, Unfortunately, due to reasons beyond our control, the Bangladesh concert is CANCELLED!

A post shared by Moyses Kolesne (@moyseskrisiun)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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