Música

Kid Vinil, um herói do Brasil

Lucas Lima/UOL
Kid Vinil: Cantor, compositor, radialista, apresentador, jornalista, colecionador de discos e versátil como São Paulo Imagem: Lucas Lima/UOL

Jotabê Medeiros

Colaboração para o UOL

20/05/2017 04h00

Morreu nesta sexta (19) o radialista, DJ, cantor, jornalista, executivo de gravadora, compositor e apresentador Antonio Carlos Senefonte, o Kid Vinil, aos 62 anos. Nascido em uma fazenda em Cedral, no interior de São Paulo, ele veio com a família para a capital em meados dos anos 1970 e tornou-se um dos pioneiros no som punk e na importação da novidade new wave do Reino Unido.

Em meados dos anos 1980, no Brasil, os jornalistas que escreviam sobre rock tinham se confundido com seu objeto de análise, encabeçando bandas e assumindo personas glamurosas de pop stars, como Fernando Naporano, Paulo Ricardo, Jimi Joe, Celso Pucci e o mais saliente de todos, Kid Vinil - que escreveu para publicações como Bizz, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, entre outros.

Kid Vinil tinha uma particularidade: era muito doce. Numa época em que a maldade era pré-requisito, todos cobiçando seu posto particular de Lester Bangs caboclo, Kid não fazia mal a uma mosca. Tinha um sorriso meio bobo, suas intenções eram evidentes, não tinha jeito para fingir ou disfarçar seus sentimentos. Parecia insano imaginá-lo oriundo da cena punk, suscitando o ódio dos punks com a reivindicação do seu pioneirismo, mas foi exatamente esse cenário o berço de sua formação.

A reivindicação do pioneirismo punk o colocou em maus lençóis nos anos 1980. Ele estava em um show na casa Dama Xoc, em São Paulo, quando argumentou em público que era um padrinho da cena punk, e um ativista possesso (o cantor Clemente, dos Inocentes), achou aquilo uma heresia e a casa ficou em pé de guerra. Kid Vinil teve que fugir para não apanhar.



Sou Boy

Sou Boy, o maior hit do grupo de Kid Vinil, tem uma história curiosa. Era uma composição de um office-boy de gravadora, num momento em que a banda Magazine, de Kid, buscava uma afirmação na cena emergente do rock oitentista. O rapaz falava de seu universo de trabalhador lúmpen de forma direta e crua e andava com os originais de sua composição procurando uma chance. Ninguém dava. Mas a canção teve seu valor reconhecido e, retrabalhada em estúdio e super-produzida, virou o maior sucesso de Kid Vinil e o projetou ao estrelato - além de outros hits, como "Tic Tic Nervoso",  "Comeu" (de Caetano Veloso) e "Adivinhão".

Ele começou a vida como funcionário da gravadora Continental, alimentando sonhos de virar protagonista. Com a banda Verminose, passou a frequentar os programas de TV mais alternativos da década de 1980, enquanto trabalhava em gravadoras. Contratado pela Warner, teve a sorte de dar de cara com Sou Boy, e isso abriu caminho para o sucesso. Também apresentou ao público, no rádio, as bandas que alcançariam o estrelato na época, como Ira! e Ultraje a Rigor.

Apresentou programas como “Som Pop” (TV Cultura) e “Lado B” (MTV) e também ajudou a disseminar os trabalhos de gente como Tom Zé e a violeira matogrossense Helena Meirelles. Estava internado desde abril, após passar mal em Conselheiro Lafayete (MG).

Segundo Duca Belintani, guitarrista que tocava com Kid, recentemente o músico seguia fazendo seu programa na rádio 89 FM e preparava um disco novo e um show comemorativo dos 35 anos do Sou Boy (seu maior sucesso).

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