Música

Chester Bennington foi o vocalista mais importante do metal no século 21

Christopher Polk/Getty Images/AFP
Imagem: Christopher Polk/Getty Images/AFP

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

20/07/2017 16h38

O anúncio da morte de Chester Bennington aos 41 anos deixa um buraco na música. Segundo informou o "TMZ", o cantor se enforcou em sua residência, em Palos Verdes, condado de Los Angeles.

O líder do Linkin Park foi o mais importante vocalista de metal do século 21 e marcou uma geração, desde o lançamento em 2000 de "Hybrid Theory", trabalho de estreia da banda que vendeu 10 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos e mais de 17 milhões no exterior, jogando o nu metal para as cabeças.

O Linkin Park é a única banda de rock/metal dos últimos 17 anos entre os artistas que ultrapassaram a marca dos 30 milhões cópias vendidas com apenas um álbum. O grupo norte-americano também se afirma com dois registros de estúdio que venderam entre 20 e 30 milhões cada. Para se ter uma ideia da importância do grupo liderado por Chester, a única banda pesada que aparece nas listas dos mais vendidos das últimas duas décadas é Evanescence, que vendeu 17 milhões de unidades do disco "Fallen".

A mistura de hip-hop e metal alternativo já tinha sido vista na década de 1990, mas foi o Linkin Park que deu um caminho comercial para um gênero tantas vezes deixado de escanteio. Guitarras distorcidas e afinadas alguns tons abaixo, vocais guturais e melódicos, além de toques eletrônicos, revolucionaram o gênero e renderam dois Grammys.

Divulgação
Mike Shinoda e Chester Bennington Imagem: Divulgação

"Hybrid Theory" marcou apenas o começo da caminhada da banda, que logo em seguida lançaria "Meteora", com os hits ainda hoje idolatrados "Numb", "Faint" e "Somewhere I Belong". O segundo disco do Linkin Park é o mais bem-sucedido trabalho a alcançar a lista alternativa da Billboard e ainda está elencado como o 36º melhor álbum da década de 2000.

O próximo passo foi ao lado do consagrado Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers e Black Sabbath). A parceria entre Linkin Park e o experiente produtor veio com um formato mais moderno do que visto nos trabalhos anteriores da banda.

O terceiro registro de estúdio, "Minutes to Midnight", e o projeto seguinte, "A Thousand Suns", instauraram novas abordagem e receberam algumas críticas dos fãs mais antigos, que não gostaram de tamanha experimentação.

Mesmo com críticas, o Linkin Park seguiu arriscando e não quis se manter no passado. A voz característica de Chester alcançou outros ritmos, principalmente no último álbum, "One More Light", com uma pegada pop eletrônica que dividiu ainda mais os admirados antigos do grupo.

Chester Bennington em sete clipes clássicos do Linkin Park

Obstáculos ultrapassados

A banda tinha como principais compositores Chester e o também vocalista Mike Shinoda, que sempre versaram sobre temas reflexivos como a morte, as relações pessoais e a sociedade atual. O cantor teve uma infância tumultuada, começando a usar drogas quando ainda era adolescente, depois do divórcio dos pais. Chester também já havia revelado que sofreu abuso sexual na infância, e a única forma de se afastar de todos os problemas era escrevendo poesias e desenhando. 

Algumas faixas do Linkin Park, principalmente no início da carreira, falavam exatamente de temas obscuros, como em "Crawling", em que feridas incuráveis e uma sensação de medo tomam o controle das pessoas, e "Pushing Me Away", quando fazemos sacrifícios para esconder uma mentira.

A música entrou em sua vida com Depeche Mode e Stone Temple Pilots, banda na qual viraria frontman depois de alguns anos, no lugar de Scott Weiland, que morreu em 2015 de overdose. Chester começou no pós-grunge com a banda Grey Daze, lançando três discos nos anos 1990, mas sem repercussão. Desanimado com a vida de músico, o cantor foi salvo por um teste para a banda que viria a ser o Linkin Park. 

Versátil, o vocalista passou por uma evolução desde que chegou ao estrelato aos 24 anos. A grande marca de Chester era a alternância entre temas raivosos e melódicos, não tendo medo de ousar. Um dos álbuns mais lembrados do Linkin Park, por exemplo, é o da parceria como rapper Jay-Z, quebrando o paradigma de que o metal é um gênero fechado. 

O Brasil foi um dos países que mais abraçou a banda de nu metal, até mesmo com a sonoridade pop indie do sétimo álbum. O primeiro show de Chester em São Paulo foi em 2004, no Estádio do Morumbi, onde 70 mil fãs viram a estreia do grupo em solo brasileiro. O Linkin Park fechou a edição deste ano do Maximus Festival, em maio, que reuniu quase 30 mil pessoas no Autódromo de Interlagos. 

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