Música

Em Porto Alegre, Paul McCartney faz protesto discreto por direitos humanos

Diego Vara/Reuters
Paul McCartney se apresenta em Porto Alegre com a turnê "One On One" Imagem: Diego Vara/Reuters

Alexandre de Santi

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

14/10/2017 08h15

O ex-beatle Paul McCartney abriu na noite desta sexta-feira (13), em Porto Alegre, a perna brasileira da turnê "One On One" com um repertório cheio de novidades para os gaúchos, que haviam recebido a lenda uma única vez em 2010. Quase metade do show foi novo para as quase 50 mil pessoas que lotaram o Beira-Rio. Das 39 músicas executadas em quase três horas de apresentação, McCartney repetiu apenas apenas 20 do setlist da passagem anterior pela capital.

O cavalheiro britânico está pela oitava vez no Brasil e, depois de Porto Alegre, segue para São Paulo, onde se apresenta no domingo (15). A turnê nacional passa ainda por Belo Horizonte na terça (17) e se encerra em Salvador, na sexta (20). Os ingressos para São Paulo estão esgotados, mas há entradas para os demais shows – disponíveis online no site Tickets For Fun.

É verdade que os repertórios da atual turnê de McCartney pouco têm mudado entre uma cidade e outra, uma característica comum aos megashows na atualidade, engessados pela sincronia das canções com efeitos de imagem e de som – e ousadias de última hora têm sido raridade. Comparado à penúltima data da “One On One”, em Detroit (EUA), em 2 de outubro, o setlist de Porto Alegre teve cinco alterações.

Diego Vara/Reuters
Paul McCartney durante show em Porto Alegre Imagem: Diego Vara/Reuters

Mas o ex-beatle parece atento ao possível tédio do público de cada cidade. Em São Paulo, próxima parada do ex-beatle, o repertório deve ter cerca de 14 mudanças em relação ao cardápio oferecido nos shows realizados no Allianz Parque em novembro de 2014. Situação que deve se repetir em Belo Horizonte, onde McCartney tocou em maio de 2013, no Mineirão. Para os baianos, no entanto, será tudo novidade: é a primeira passagem do ex-beatle por Salvador.

Em Porto Alegre, a chuva torrencial que atacou a capital gaúcha ao longo da semana deu uma trégua bem na hora do show, e o público enfrentou longas filas para entrar no Beira-Rio (e para sair também). O baixista da banda mais influente de todos os tempos mostrou a simpatia de sempre e um português cada vez mais afiado – o cantor esteve no Brasil quase todos os anos desde 2010, quando retornou após 17 anos de ausência, falhando apenas em 2015 e 2016.

Depois de abrir a apresentação com “Hard Day´s Night”, às 21h03, com irrelevantes três minutos de atraso, o músico britânico conversou e brincou com a plateia no intervalo de cada canção. "Oi, Porto Alegre. Tudo bem?", perguntou arranhando na língua local. "É bom estar de volta", disse. Também agradeceu: "Obrigado, gaúchos… e gaúchas". McCartney também fez um agrado para a esposa, Nancy. "Eu escrevi esta música para a minha querida esposa. Ela está aqui hoje", anunciou em português antes de "My Valentine".

O britânico estava animado como de costume, mas, aos 75 anos, os efeitos da idade aparecem na voz em alguns momentos. Em "Maybe I'm Amazed", ele atingiu os agudos, mas com pouco volume. Talvez por isso tenha preparado um segmento mais intimista, quase acústico, que ocupa um quarto do show. Os dois telões centrais descem e ficam mais próximos da banda, simulando a varanda de uma casa antiga, e o baterista Abe Laboriel Jr. se aproxima dos colegas com um kit menor, operado em pé. McCartney anuncia, em português: "E agora nós vamos voltar no tempo. Essa é a primeira música que os Beatles gravaram". De violão em punho, puxa "In Spite of All The Danger", registrada em 1958, quando ainda John, Paul e George atendiam pelo nome de The Quarrymen. Na sequência, uma versão acústica de "You Won´t See Me".

Os fãs dos Beatles têm pouco a reclamar. Quase 70% do repertório é dedicado às canções do quarteto, e McCartney faz homenagens a John Lennon, George Harrison e ao produtor George Martin, falecido em 2016. Martin foi lembrado com a primeira canção que gravou para os Beatles, "Love Me Do", que McCartney não tocava na sua carreira solo e virou novidade da turnê "One On One". A banda Wings, que marcou a carreira de Paul nos anos 70, teve seis músicas no setlist. As demais foram da carreira solo de McCartney, quatro da fase mais recente.

Direitos humanos e "Fora, Temer"

Diego Vara/Reuters
Paul McCartney clamou pelos direitos humanos em "Blackbird" e ouviu um coro de "Fora, Temer" dos gaúchos Imagem: Diego Vara/Reuters

Em "Blackbird", Paul teve um momento político. Anunciou a canção inspirada pelas disputas raciais nos Estados Unidos dos anos 1960 e disse misturando o português e o inglês: "Direitos humanos. We need them right now, right? (Nós precisamos deles agora, certo?)". Uma parte do palco levantou três metros com McCartney e o seu violão para um dos momentos mais emocionantes da noite. Ao fim da música, McCartney repetiu "direitos humanos", de novo em português, e a plateia gritou "Fora, Temer".

Quando retomou o espírito roqueiro, anunciou "Queenie Eye", do disco "New", seu disco mais "rrrecente", arrastando a pronúncia do erre para mostrar que estava se esforçando para incorporar o português. Na sequência, a superbanda de McCartney partiu para o segmento mais empolgado da noite, com hits como "Band On The Run", "Live And Let Die" e "Hey Jude".

Na parte final, nenhuma surpresa. Mas pouco importa: o público aguarda ansioso o desfile de clássicos para cantar junto como se fosse um karaokê coletivo. O ex-beatle puxou a banda de volta para o bis com outra campanha política: bandeiras do Brasil, da Grã-Bretanha e do movimento LGBT. Depois de enfileirar parte do medley final do disco "Abbey Road", encerrou a noite com um "Até a próxima", profecia que tem tudo para se realizar a julgar pelo pique do músico e pelo recente histórico de turnês pelo Brasil.

O repertório:
“A Hard Day's Night”
“Junior's Farm”
“Can't Buy Me Love”
“Jet”
“Got to Get You Into My Life”
“Let Me Roll It”
“I've Got a Feeling”
“My Valentine”
“Nineteen Hundred and Eighty-Five”
“Maybe I'm Amazed”
“We Can Work It Out”
“In Spite of All the Danger”
“You Won't See Me”
“Love Me Do”
“And I Love Her”
“Blackbird”
“Here Today”
“Queenie Eye”
“New”
“Lady Madonna”
“FourFiveSeconds”
“Eleanor Rigby”
“I Wanna Be Your Man”
“Being for the Benefit of Mr. Kite!”
“Something”
“A Day in the Life”
“Ob-La-Di, Ob-La-Da”
“Band on the Run”
“Back in the U.S.S.R.”
“Let It Be”
“Live and Let Die”
“Hey Jude”

Bis
“Yesterday”
“Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)”
“Helter Skelter”
“Birthday”
“Golden Slumbers”
“Carry That Weight”
“The End”

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