Música

Muito mais que "Ragatanga": Retorno do Rouge vai além do flashback

Carol Caminha/Divulgação
As meninas do Rouge se reúnem para retorno do grupo Imagem: Carol Caminha/Divulgação

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

25/11/2017 12h49

O show que marca a volta do Rouge começa com uma volta ao tempo: estamos em 2002, quando Aline Wirley, Luciana Andrade, Li Martins, Fantine Thó e Karin Hils são escolhidas entre as 30 mil candidatas para integrar o primeiro grupo musical brasileiro formado em um reality show. O áudio do anúncio no derradeiro episódio de "Popstars", exibido pelo SBT naquele ano, é usado para anunciar o retorno das meninas. São dois shows: um neste sábado (25) e outro no dia 2 de dezembro, ambos no Expo Barra Funda de São Paulo e com ingressos esgotados. Mas as mulheres que sobem ao palco hoje não poderiam estar em fase mais diferente. 

Grupo feminino mais bem-sucedido do país, o Rouge vendeu 6 milhões de discos, esgotou shows com facilidades, multiplicaram-se em centenas de produtos licenciados e fez uma apresentação no Estádio do Pacaembu exatamente um ano depois do fim do programa. Marcos relevantes para o pop brasileiro, mas que também rendeu desgaste e frustração pela autonomia quase nula nas decisões do grupo. Para completar, os críticos da época a chamavam de "ratas de laboratório".

"Nós já éramos mulheres naquela época, mas não podia beber em público, não podia falar palavrão, não podia fumar cigarro", relembra Karin, 38. "A gente era muito julgada", conta Luciana, 39, que dois anos depois do reality jogou tudo para o alto e saiu do grupo. Um dos casos que ela não se esquece aconteceu na MTV. "Fomos muito maltratadas por uma apresentadora. A diretora depois mandou flores para cada uma, pedindo desculpas, dizendo que éramos bem aceitas lá", recorda. "A gente tinha que provar sempre que a gente cantava. Toda hora pediam: 'Façam à capella'", completa Aline, 35.

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O Rouge que os fãs barbados e crescidos reencontram hoje nos shows, que elas fazem em parceria com a festa Chá de Alice, está mais sensual, com as coreografias reensaiadas, mas a mesma harmonia entre cinco vozes bem afinadas --e o melhor: agora elas são donas dos próprios passos.

A começar pela marca. O Rouge --nome já definido antes mesmo do resultado do reality-- agora é de propriedade das próprias integrantes. "Lutamos para ter uma voz ativa e hoje somos proprietárias dessa potência que o Rouge está se revelando ser", comemora Fantine, 38.

O resultado não poderia ser melhor. Os shows da reunião se esgotaram em menos de 3h de venda, lembrando as apresentações concorridas dos primeiros anos. Fantine, a única das integrantes que mora fora do Brasil, já considera voltar de vez. A filha de 10 anos viu apenas agora a mãe no palco e já adaptou a lista de popstars favoritas. "Agora eu apareço em primeiro".

Suando e bailando

No último ensaio antes da estreia do show em São Paulo, Luciana, que durante muitos anos rechaçava a ideia de voltar a dançar "Ragatanga", era uma das mais animadas no estúdio no bairro do Morumbi. Beliscava petiscos, pulava ao reencontrar a equipe e treinava a voz. "Eu dizia 'jamais' porque, na minha cabeça, eu não ia ser aceita novamente por elas", revela. "Quando eu saí, eu procurei as meninas algumas vezes e não fui correspondida. Então, falei: 'Bom, fechou'."

Sua saída seguiu o roteiro hoje previsível para os fãs de One Direction e Fifth Harmony. "Eu fiquei deprimida, muito desiludida. Me sentia muito usada e falava isso para as meninas na época. Eu brigava muito por condições justas, por nossos contratos. E eu senti que nadava sozinha. Mesmo as coisas assinadas não eram cumpridas. Sentia que ali eu não tinha mais minha alma".

Após anos sem dançar, ela suava com sorriso no rosto: o Rouge teve apenas 15 dias para pegar o ritmo daquela época antes do show de retorno no Rio de Janeiro, em outubro. A volta começou a ser traçada em 2012, quando o grupo completaria dez anos. Espontaneamente, os fãs se lembraram da data e colocaram a campanha "#voltarouge" nos trending topics do Twitter.

De olho nesse movimento, o produtor Rick Bonadio tentou viabilizar o reencontro, sem Luciana, para conduzir no ano seguinte um novo reality, "Fábrica de Estrelas", no Multishow. Uma nova música chegou a ser gravada, "Tudo é Rouge", mas questões burocráticas frustraram os fãs.

A coisa ficou mais séria mesmo quando elas se reuniram na casa de Aline em 2016 para um encontro casual. Karin deu a ideia de gravar um vídeo com a versão acústica de "Um Anjo Veio Me Falar". Hoje, revela: "Coincidência nada, eu estava vislumbrando tudo".

Reprodução/Facebook
Rouge em estúdio: vai ter música nova em 2018 Imagem: Reprodução/Facebook

No início do ano, foram convencidas por Pablo Falcão, o nome por trás do sucesso da festa Chá de Alice. Porém, nenhuma delas estava preparada para a ovação no Rio. "Nós vimos crianças em corpo de adultos", diz Fantine. "A gente entrou no coração dessas pessoas na infância e na adolescência. É louco porque o Chá da Alice é uma festa extremamente gay, eufórica, colorida, e estávamos esperando uma festa 'uau'. Mas eles estavam ali com coraçõezinhos nos olhos".

Agora elas estão prontas para sair em turnê nacional, gravar o clipe da nova música, "Bailando", e prestes a fechar com a Sony para o lançamento de outros singles em 2018. O que era para ser um momento flashback, mostrou-se ainda maior.

O clima agora é de emancipação. "Estamos nesse momento nos apropriando dessa história", resume Aline. Uma história que quer ressaltar a diversidade, uma das marcas do grupo desde 2002. "São cinco mulheres muito diferentes", diz Li, 33. "É a beleza do grupo, nossa potência vem daí", completa Aline.

"Hoje a gente consegue sentir uma receptividade completamente diferente e uma aceitação maior pelo que nós somos. Antes, ser gordinha, ser masculinizada, ser mestiça, ser negra, era motivo de julgamento. Os estereótipos estão caindo, e o empoderamento está maior. Tem mais honestidade, mais compaixão", explica Fantine.

Só não venha falar de rótulos para elas. O novo stylist chegou sugerindo que Karin: "Você vai ser a empoderada do grupo". Ela rebateu: "Cara, não me limite, não me defina, eu sou tudo. Posso ser o que eu quiser. Eu assumi isso para mim", conta rindo.

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