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Aniversário de SP tem Paula Fernandes, grito por travestis e vaias a Doria

Débora Klempous/UOL
Público curte o show de Paula Fernandes no Vale do Anhangabaú na festa de 464 anos de São Paulo Imagem: Débora Klempous/UOL

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

25/01/2018 14h00

Foi a mineira Paula Fernandes quem abriu a festa do aniversário de São Paulo nesta quinta-feira (25) no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. A comemoração dos 464 anos acontece em um dos cartões postais da capital, onde estão centralizados os principais shows e atrações que seguem até meio-dia de sexta-feira (26).

A drag queen Tchaka fez as vezes de mestre de cerimônias. "Porque São Paulo precisa de uma drag grande, diversificada, colorida e empoderada", disse. O público, que começava a lotar a região por volta das 13h, aplaudiu fortemente a artista. "Vamos curtir um sertanejo raiz, feito por uma grande mulher".

Vestida com um macacão jeans e uma blusa com brilhos, a cantora sertaneja subiu ao palco com o som mais moderno e pop, e fez o público vibrar com canções como "Você Precisa" e "Vim te Ver".

O clima rural veio quando Paula pegou o violão para cantar "Pra Você", seguido de "Nuvem de Lágrimas", sucesso de Chitãozinho e Xororó. Em "Desculpe Mas Eu Vou Chorar", cantada apenas com voz e violão, Paula relembrou da época em que "ouvia radinho de pilha" e chamou a mãe para dividir o microfone, que assistia a apresentação em cima do palco.

"Que delícia estar aqui. É meu primeiro show do ano. O aniversário é de São Paulo, mas quem ganha o presente sou eu", disse Paula, que contou com parte de seu fã-clube na grade. Um dos seus seguidores foi chamado para cantar "Apaixonada por Você" com a cantora. No fim, Paula desceu no gargarejo e cantou "Parabéns pra Você" em ritmo de modão. "Parabéns, cidade linda", disse, fazendo referência à campanha da gestão João Doria. 

Doria assiste a show, mas não discursa

Logo após o show completo, de 1h30 (duração maior do que as apresentações na Virada Cultural), a drag Tchaka pediu palmas para o prefeito João Doria. A plateia reagiu com vaias e garrafas foram jogadas em direção do palco. Doria assistiu ao show, ficou alguns minutos no camarim de Paula Fernandes e saiu sem discursar.

Ao deixar o local, Doria comentou que não estava programado para subir ao palco. "Simplesmente não estava previsto que eu falasse. Não fui convidado. Aqui é um lugar de festa, não de política", disse o prefeito ao ser abordado pelo UOL.

Grito por travestis

A festa celebrou outro ícone paulistano: a cantora Rita Lee, que completou 70 anos no dia 31 de dezembro. O festejo também trouxe à tona um grito pelas travestis da cidade. 

Rita Lee, que não dá as caras na festa desde 2013, quando fez um dos últimos shows da carreira no mesmo local, foi bem representada pelas cantoras Letícia Novaes (Letrux), Xênia França, Raquel Virgínia e Assucena Assucena (vocalistas da banda As Bahias e a Cozinha Mineira), e Tulipa Ruiz. 

Raquel subiu ao palco puxando um grito pela população LGBT. "Viva as travestis", disse antes de cantar "Pagu".

A Festa da Cidade, como o evento tem sido chamado pela prefeitura, tem jeito de Virada Cultural e reúne outras atrações na região, como um espaço para karaokê, tablado de mágica e campeonato de "gaymada".

O palco principal, localizado embaixo do Viaduto do Chá, ainda recebe shows de tributos à Rita Lee e David Bowie, além das apresentações de Baiana System, Karol Conká e Anitta.

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