Com Andy Rourke, Johnny Marr faz show possível do Smiths no Lollapalooza

Tiago Dias
Do UOL, em São Paulo

Não importa quantas vezes Morrissey tenha tocado no Brasil, lançado flores ao público e aberto sua camisa para a plateia. Foi com Johnny Marr que os fãs brasileiros chegaram próximo a um show do Smiths. Sem muito alarde, o ex-guitarrista da banda chamou ao palco do Lollapalooza 2014, neste domingo (6), o baixista Andy Rouke, antigo companheiro de banda, para um encontro surpresa.

"Eu tenho uma surpresa para vocês", disse Marr, já no final de sua apresentação. "Andy Rouke, do Smiths", anunciou. O público, que já cantava canções de sua carreira solo e hits do Smiths, como "Stop Me If You Think You've Heard This One Before" e "Bigmouth Strikes Again", foi à histeria com o encontro de metade da veterana banda britânica.

Rouke entrou taciturno, todo de preto, com óculos de lentes avermelhadas e seu baixo para acompanhar Marr em "How Soon is Now?", outro clássico da extinta banda, em uma das melhores versões da música já ouvida. Tão importante quanto reconhecer a voz murmurada de Morrissey é notar o riff marcante da música pelas mãos de Marr e o baixo de Rouke. "Fique para sempre", gritou alguém da plateia para a dupla.

Chamando-o de "badass" (durão), Marr deu um abraço tímido em Rouke para, então, cantar sozinho a última canção do show, talvez a mais conhecida do Smiths, "There's a Light That Never Goes Out", acompanhada em uníssono por uma plateia satisfeita e aos prantos. Foi como um encontro entre Paul McCartney e Ringo Starr, guardadas as devidas proporções.

  • Tiago Dias/UOL

    As amigas Camila Federice e Amanda Ferri choraram no show de Johnny Marr

"Estou tão sem palavras, não consigo nem falar", disse Camila Federice, 16, enxugando as lágrimas. "Foi do nada, ninguém estava esperando. Esse encontro não aconteceu no Chile nem na Argentina". E como uma jovem de 16 anos tem essa afeição tão grande com a banda de Manchester que ficou ativa entre 1982 e 1987? "Meus pais me educaram", respondeu. "Com tanta b**** aí, ouvir metade do Smiths no palco me deixa sem reação".

Gilson Honorato, de 43 anos, também estava em estado de graça. "Eu espero isso desde os anos 80. Mesmo sem o Rouke [em toda a apresentação], é um show mais eletrizante que o do Morrissey", relatou o manauara, que veio do Rio de Janeiro para assistir ao show.

Relevante

O show que Marr apresentou no palco Ônix, neste segundo e último dia do Lollapalooza, não foi apenas um resgate do Smiths. O público acompanhou e cantou as canções da carreira solo do guitarrista, como as ótimas "The Right Thing Right" e "Generate! Generate!", do único disco do músico, "The Messanger" (2013), que não deve nada à herança do Smiths e é relevante frente às novas bandas que bebem na fonte da extinta banda.

Marr fez pose e dominou praticamente os solos e riffs das canções, mostrando que a fratura na mão, semanas antes das apresentações na América do Sul, não prejudicou na virtuose. Fez questão de forçar no português: "Muito obrigado, estou feliz de estar com vocês". A plateia respondeu: "Olê, olê, Johnne, Johnne". De quebra, dedicou uma canção para o New Order, que toca mais tarde no festival, em "Getting Away With It" e relembrou os conterrâneos do The Clash, com a cover de "I Fought the Law", da banda The Crickets.

Marr provou que é possível reverenciar o passado sem deixar de olhar para frente. "Esta canção vai para o pessoal aqui da frente, o pessoal lá de trás e ninguém mais", disse antes dos primeiros acordes. Mais cedo, mandou outro recado antes de "Bigmouth Strikes Again": "Essa é para os meus velhos amigos. E para meus novos amigos". 

Relações perigosas

Arte/UOL

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