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Daniela Mercury é recebida com balões e rosas e critica Feliciano na Virada Cultural

Estefani Medeiros e Thiago Azanha

Do UOL, em São Paulo

18/05/2013 18h19

Porta-voz não oficial de casais gays Brasil afora desde que anunciou seu relacionamento com uma mulher, a cantora baiana Daniela Mercury foi recebida com balões brancos e rosas ao subir ao Palco Júlio Prestes durante a Virada Cultural neste sábado (18).

A performance da cantora foi marcada pela presença de muitas músicas de compositores brasileiros consagrados, como Tom Jobim e Adoniran Barbosa, e por muitas reivindicações políticas, como o fim da discriminação racial e em virtude da orientação sexual.

O público presente era em sua maioria gay, com muitos casais que se abraçavam, jovens e senhores. A performance foi "abençoada" com um céu bastante aberto, contrariando previsões do tempo mais pessimistas, e uma bela lua.

No início do show, que teve acompanhamento do grupo Zimbo Trio, a cantora recitou um trecho da oração "Ave Maria", pediu bênçãos e anunciou a abertura da Virada, que ocorre entre as 18h deste sábado e as 18h do domingo e traz mais de 900 atrações de música, teatro, dança, artes visuais e performances em vários pontos da capital paulista.

Logo após uma uma versão instrumental e bossa nova de "Aquarela do Brasil", Daniela entrou no palco vestida com um terninho branco com estampa de zebra e calça preta. Entoou a canção "Upa, Neguinho", que dedicou à cantora Elis Regina.

Numa apresentação repleta de manifestações políticas, a cantora aprovou um dos cartazes que um grupo de 30 estudantes do PSTU levou ao show onde se lia "Mais Daniela, Menos Feliciano. A hora da virada da homofobia". Ela também defendeu que o deputado Marcos Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, "tinha que sofrer impeachment" e chamou de "inadmissível o que está acontecendo".

No repertório do show, a baiana incluiu uma homenagem ao compositor Paulo Vanzolini, morto no mês passado, cantando a clássica "Ronda". Apareceram ainda versões de "Águas de Março", de Tom Jobim, "Eu Sei que Vou Te Amar", de Tom e Vinicius de Moraes, "Saudosa Maloca", de Adoniran Barbosa, "Mas Que Nada", de Sérgio Mendes, e outros clássicos brasileiros e improvisações de jazz, bastante distantes do universo do axé music que fez a fama da cantora.

A exceção só veio na última música, quando cantou "O Canto da Cidade", um dos grandes sucessos do início da carreira de Daniela, que foi puxada em coro pelos fãs.

Momento favorável
Na plateia do show de Daniela, casais gays comemoravam as recentes declarações da cantora em favor da união de homossexuais no país. "A declaração dela fortaleceu nossa escolha pelo show. Podemos ficar mais à vontade e curtir o show numa boa", disse Edcarlos Pereira, que estava acompanhado de seu companheiro Thiago Torres.

"O momento é muito favorável para os gays. Estávamos entre três shows, mas preferimos o da Daniela exatamente pela revelação feita recentemente", contou Daniel Moreira.

Tatiane Lourenço e Gabriella Felippe, que namoram há dois anos, vieram para a Virada só para ver o show da cantora baiana. "De alguma forma, [a declaração] nos influenciou. Mas já conhecíamos a musica dela há algum tempo", contou Tatiane.