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Pela primeira vez no Brasil, Lorde promove transe coletivo no Lollapalooza

Leonardo Rodrigues e Patrícia Colombo

Do UOL, em São Paulo

05/04/2014 18h46

Em sua primeira passagem pelo Brasil, a cantora neozelandesa Lorde fez na noite deste sábado, no Lollapalooza, um show forte, vibrante e introspectivo, colocando o público que lotou as imediações do palco Interlagos em uma espécie de transe coletivo. Algumas fãs chegaram a ir às lágrimas. A recepção calorosa deixou a cantora visivelmente emocionada. "P* m*, há tantos de vocês por aqui", disse ao público.

Fenômeno pop improvável vindo da Oceania, a vocalista de apenas 17 anos entregou o mesmo show que fez nos Lollapalooza do Chile e Argentina. Cantou quase todas as faixas de seu álbum de estreia, “Pure Heroine”.

A numerosa plateia que preferiu assistir à cantora --o show aconteceu simultaneamente ao do grupo indie Phoenix-- pode acompanhar um espetáculo simples, sem pirotecnia. Acompanhada apenas de um tecladista e um baterista, a cantora subiu ao palco de calça branca de coz alto, cabelo solto e batom vermelho,  uma variação mais esporte de seu visual cool gothic do terceiro milênio. 

Assim como sua música, Lorde é hipnótica e carismática. Com espinhas na cara disfarçadas pela discreta maquiagem, a musa teen dança freneticamente desajeitada em todas as suas músicas, demonstrando emoção e afinação nas letras. A cada frase arriscada em português, o delírio do público, composto majoritariante por meninas --muitas ostentando batom escuro e os mesmos cabelos anelados da cantora. "Muito obrigado!", arriscou.  

Mesmo essencialmente pop, seu som introspectivo casou bem com o público e o clima alternativo do festival. A aura down não chegou a amainar a plateia, que surpreendeu a cantora, acostumada a públicos mais acanhados. 

O esperado clímax veio com “Royals”, em que Lorde surgiu com uma bandeira do Brasil, sendo imediatamente saudada com palmas e gritos. A faixa foi recentemente executada por Bruce Springsteen em um show do cantor na Nova Zelândia. Mostras da amplitude alcançada pela iniciante cantora. Se ainda falta a ela uma boa coleção de hits, que possivelmente virão nos próximos discos, sobram energia e segurança no palco.

Menos fortes, seus demais singles, "Tennis Court", "Team" e  “Glory and Gore”, que abriu a apresentação, também emocionaram o público, que lotou o gramado e barrancos nas imediações do palco Interlagos.

Confusão

Com o encerramento da apresentação do Imagine Dragons no Palco Skol, um grande número de fãs se deslocou para o Palco Interlagos, onde Lorde já havia começado sua apresentação na noite deste sábado (4), no Lollapalooza Brasil. Porém, por um aparente problema de logística, o público enfrentou grandes dificuldades para chegar ao local.

Com o acesso apenas por uma estreita via na lateral (localizada à direita do palco), o público acabou quase que bloqueado pelo grande trânsito de pessoas, dificultando a circulação tanto daqueles que tentavam ultrapassar a área para chegar o resto do espaço que abrigava o palco, quanto daqueles que visavam sair do lugar para se descolar a outro espaço no Autódromo de Interlagos - havia também quem tinha acabado de chegar ao festival pelo portão 9  e precisou encarar a muvuca.

O grande fluxo na região continuou durante o resto da apresentação da neozelandesa e muita gente teve que curtir o hit "Royals", executado no final do show, no meio da confusão.

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