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Música

Ciro Gomes: "Belchior cansou de conviver com a grossura dos nossos tempos"

Thays Lavor

Colaboração para o UOL, de Fortaleza (CE)

01/05/2017 22h02

Entre familiares e fãs, personalidades políticas também deram seu "até logo" ao cantor e compositor Belchior, que morreu neste domingo (30). O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), chegou às 19h30 ao velório. Pouco depois, foi a vez do governador do Estado, Camilo Santana (PT), que veio acompanhado da mulher e do pré-candidato a presidência da República Ciro Gomes (PDT), que prestaram suas últimas homenagens.

Fã e conterrâneo ambos nasceram em Sobral (CE) de Belchior, Ciro Gomes demonstrou emoção durante o tempo em que permaneceu ao lado do caixão e cumprimentou familiares. O presidenciável disse que conheceu o artista quando tinha 16 anos e que há algum tempo já vinha sentindo a dor da perda do amigo.

“Ele se desadaptou das vulgaridades da vida brasileira e destes tempos. Sumiu e desfez as relações todas. Não por rancor a ninguém, apenas acho que ele cansou de conviver com a grossura dos tempos ásperos que estamos vivendo.”

Embora viesse tentando saber do paradeiro de Belchior, Gomes ainda guarda as lembranças do último encontro, na Serra da Meruoca, em Sobral (CE), e lamenta a perda do amigo.

“Passamos boa parte da noite cantando, logo antes de ele sumir. Então, se esta perda pessoal é irreparável, o que projeta um homem para imortalidade é o seu verso. E eu não tenho a menor dúvida de que ele conseguiu isso por meio de sua obra.”

O prefeito Roberto Cláudio classificou o legado de Belchior como atemporal, “O melhor significado é a multidão que acompanhou o velório no feriado, tanto aqui em Fortaleza quanto em Sobral. Pessoas de várias idades e origens. A obra dele transcende as classes sociais, os gêneros e, principalmente, as idades. É atemporal e de valor singular."

Já o governador Camilo Santana afirmou estar sentindo um imenso vazio, pois teve a juventude influenciada pelas músicas do cantor, que tinham cunho político, de sonho e de lutas marcantes.

“O Belchior sempre defendeu a construção de um mundo melhor, de paz, amor, liberdade, esperança e justiça. Então, em um momento tão difícil, acho que a lição que ele nos deixa é a de que é preciso viver, mais do que sonhar.”

O velório de Belchior segue em Fortaleza até às 7h desta terça (2), no hall do teatro do Centro Dragão do Mar. Em seguida, o corpo será levado ao cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré, onde acontece o sepultamento. Na manhã desta segunda (1º), ele já havia sido velado também em Sobral (CE), sua cidade natal.

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