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Lorde compra página inteira de jornal e alfineta chefão do Grammy com carta

Christopher Polk/Getty Images for NARAS
A cantora neozelandesa Lorde com o seu irmão, Angelo, na plateia da cerimônia do Grammy 2018 Imagem: Christopher Polk/Getty Images for NARAS

Do UOL, em São Paulo*

31/01/2018 22h31

A artista neozelandesa Lorde, única artista mulher indicada na categoria álbum do ano no Grammy, comprou uma página inteira do jornal "The New Zealand Herald", e publicou nesta quarta-feira (31) uma carta escrita a mão na qual agradeceu a seus fãs por seu apoio a "Melodrama", seu último sucesso.

"Obrigada, também, por acreditarem nas mulheres na música. Vocês estabeleceram um bonito precedente!", escreveu a jovem cantora. A frase pode ser interpretada como uma alfinetada no presidente da Academia de Gravação e chefão do Grammy, Neil Portnow.

A maioria dos prêmios entregues no Grammy foi para homens. Bruno Mars foi o grande vencedor da noite ao levar os prêmios de melhor música por "That's What I Like" e melhor álbum e melhor gravação por "24K Magic".

AP Photo/Nick Perry
Carta publicada por Lorde em jornal neozelandês. A cantora fez questão de comprar uma página inteira Imagem: AP Photo/Nick Perry


Em um contexto de reivindicação social a favor da igualdade de gênero e em pleno auge do movimento "Time's Up" contra o abuso sexual, a imprensa perguntou ao presidente da Academia de Gravação sobre o baixo número de mulheres vencedoras e indicadas às principais categorias.

Sua resposta desencadeou um terremoto. A mudança "tem que começar pelas mulheres que têm a criatividade em seu coração e em sua alma, que querem ser artistas, engenheiras, produtoras, que querem fazer parte da indústria a nível executivo, deem um passo à frente", declarou Neil Portnow.

Lorde já havia recusado uma apresentação na premiação, já que não poderia cantar sozinha. Todos os outros indicados na categoria de álbum do ano, Childsh Gambino, Jay-Z, Kendrick  Lamar e Bruno Mars, teriam sido convidados para apresentações solo. 

Revolta feminina

Pink, Charlie XCX e Katy Perry são outras artistas que também responderam à polêmica desatada após o Grammy.

A americana Pink criticou as palavras de Neil Portnow ao assegurar que "as mulheres na música não precisam 'dar um passo à frente'. As mulheres deram passo à frente desde o início".

Honrar as mulheres, em sua opinião, seria ensinar "a próxima geração de mulheres, meninas, meninos e homens o que significa serem iguais e o que significa serem justos", segundo uma nota escrita a mão publicada em seu Twitter.

Katy Perry se somou às críticas afirmando que "todos temos a responsabilidade de acabar com esta absurda falta de igualdade por todas as partes".

"Estou orgulhosa de TODAS as mulheres que fazem uma arte incrível apesar das resistências contínuas", manifestou nas redes sociais.

A cantora britânica Charlie XCX reiterou que "as mulheres fazem músicas incríveis hoje em dia". "Do que ele está falando?", se questionou em referência a Portnow.

Retratação

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Neil Portnow, Alicia Keys e Ken Ehrlich nos bastidores do Grammy 2018 Imagem: Getty Images

Após toda a polêmica, o chefão do Grammy se desculpou. "Infelizmente eu usei a expressão "melhorar" que, tirada do contexto, não transmite o que eu acredito e o que eu tenho tentado fazer. Nossa indústria precisa reconhecer que as mulheres enfrentam barreiras que os homens nunca enfrentaram na carreira. Temos que trabalhar para eliminar essas barreiras e encorajar mas mulheres a viver os seus sonhos e expressar a sua paixão e criatividade através da música", disse Portnow, em um comunicado publicado pela Variety.

"Lamento que não tenha me expressado como eu queria. Continuo comprometido em fazer tudo o que for possível para deixar a nossa comunidade musical melhor, mais segura e mais representativa para todo mundo", completou.

*Com informações da AFP

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