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Em passo ousado, Rihanna abandona as pistas e explora mais a voz em "Anti"

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

28/01/2016 12h17

É difícil ouvir “Anti”, o tão aguardado novo disco de Rihanna, sem se perguntar: “Ok, qual música aqui dá pra dançar na pista?”. A cantora disponibilizou o download gratuito do álbum na madrugada desta quinta (28).

Os fãs sabem bem que a cantora veio de uma sequência de discos quase anuais (regra que valeu até “Unapologetic”, lançado em 2012), muitas vezes produzidas no automático e com uma sequência de batidas frenéticas, que flertava tanto com o eletrônico quanto no hip-hop. Ou seja, feito para se acabar de dançar.

Capa do novo álbum de Rihanna - Reprodução /Instagram /badgalriri - Reprodução /Instagram /badgalriri
Após muito suspense, "Anti" foi divulgado com exclusividade no Tidal, mas ainda não há data para lançamento fisíco e em outras plataformas de streaming
Imagem: Reprodução /Instagram /badgalriri

Mas como sugere o título do novo álbum, lançado exclusivamente na plataforma Tidal, na madrugada desta quinta-feira (28), seu novo trabalho é a antítese de sua carreira, e do que esperam dela.

Ela mesma já havia falado de seus novos objetivos há um ano, quando ainda gravava o disco. “Eu apenas quero focar em coisas que eu sinta que são reais, que eu sinta que tenha alma, que sejam eternas. Eu queria canções que eu pudesse interpretar daqui a 15 anos”.

Nada aqui lembra a parceria feita pela cantora com David Guetta (“Right Now”) ou Calvin Harris (“We Found Love”). A batida pesada do trap rap de  “Bicth Better Have My Money” (que ficou de fora do disco) é lembrada apenas na abertura do disco. E é só. Para dançar até o chão, só “Work”, single em parceria com Drake, lançado horas antes do disco vazar.

Com a produção esmerada de um time de produtores (que vão de DJ Mustard a Timbaland), Rihanna envereda por um novo caminho. Entre baladas, sintetizadores e um clima de R&B e soul, a cantora encontra na sua voz outras cores e emoções ao falar basicamente de amor (no geral, sobre coração partido e relacionamentos que não deram certo). "Love on the Brain" e "Higher" vão surpreender até o mais ferrenho fã da cantora.

Longe de ser genial, “Anti” revela uma outra Rihanna. E subverter as expetativas no jogo do pop já conta muitos pontos.

Veja o faixa a faixa:

Consideration
Na batida do rap, mas ainda assim com arranjo delicado, Rihanna surpreende com os vocais em um recado que pode ser para o ex que controlava sua vida (ou um aviso ao ouvinte para o que vem a seguir): “Eu tenho de fazer as coisas da minha própria maneira, querido / Será que você vai me deixar? / Será que você vai me respeitar?”

James Joint
Teclados vintages de fundo lembram Stevie Wonder, enquanto Rihanna compara fumar maconha com beijar seu amor: “Eu preferiria fumar maconha / Sempre que a gente respirar / Toda vez que você me beijar”

Kiss it Better
Cheia de sintetizadores, a balada futurista e roqueira conta com refrão sensual e solo do guitarrista português (e ex-Extreme) Nuno Bettencourt

Work
Com ritmo preguiçoso, “Work” parace inspirada do dancehall jamaicano. É o momento para dançar. Rihanna e Drake são um casal que discute a relação. Ela procura uma conexão maior, ele apenas sexo (o ‘work’ que é repetido uma centena de vezes)

Desperado
Com batida climática, a canção chega no refrão com backing vocal sombrio e um piano que se repete em loop. "Não há nada mais para mim aqui, eu não quero ficar sozinha"

Woo
Corpo estranho do disco, a canção escrita por The Weeknd, sensação do R&B, é mais uma mensagem para o ex que já está em outra, mas não para de pensar nela. O recado é entrecortado por efeitos de guitarra e distorção na voz

Needed Me
Balada dark em meio-tempo produzida por DJ Mostard. A letra remete ao empoderamento feminino. “Você precisou de mim / para sentir um pouco e dar um pouco menos / sei que você odeia confessar / mas baby, você precisou de mim”.

Yeah, I Said It
Sexual, tem o clima do R&B eletrônico de The Weekend. Piano climático, samples de vozes e Rihanna ousando até um falsete

Same Ol’ Mistakes
A balada soul psicodélica de Tame Impala, verdade seja dita, cai como perfeição na voz de Rihanna. O estranho aqui é que a canção traz a mesmíssima batida da versão lançada ano passado no disco “Currents”, da banda australiana. Sensação de ‘deja-vu’, mas é inegável que Rihanna deveria andar mais com Kevin Parker

Never ending
Rihanna resgata a cantora Dido (lembra de ‘Thank You?’). Acústica, a balada é simples e eficaz. A letra segue o clima de todo o disco: “Perdida no espelho, eu conheci seu rosto uma vez, mas agora não está mais claro / eu não posso sentir  meu corpo agora, eu estou separada daqui e do agora/ uma droga e um drinque / nós perdermos a conexão”

Love on the Brain
A introdução lembra “Superpower”, lançada por Beyoncé no álbum de 2013, mas a canção cresce em um neo-soul realmente surpreendente. Entre Amy Winehouse, Erykah Badu e Leon Bridges, Rihanna cai no clima retrô, mas eleva sua voz como nunca. Alguns fãs identificaram indiretas a Chris Brown e ao caso de violência que ela sofreu na mão do rapper

Higher
Uma valsa alcoolizada. Com um copo de uísque na mão, Rihanna canta como no fim de festa, desesperada, e pede desculpas se soar indelicada: ela só quer o seu amado de volta. Uma balada soul curta, com cordas distorcidas de fundo e a voz rouca e emocionada

Closer to you
“Nada além de uma lágrima, isto é tudo para o café da manhã”, Rihanna canta em mais uma balada, desta vez apenas ao piano. Talvez seja a música que mais se pareça com a antiga Rihanna (lembra muito “Stay” e “Take a Bow”), mas se a canção não chega a brilhar, pelo menos mostra sutileza, sem cair no histrionismo