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Sem jeito de "menininha", Grace Potter finca pé no rock e agrada no Sunset

Mário Barra

No UOL, no Rio

20/09/2013 17h36

No camarim atrás do Palco Sunset, a cantora Grace Potter estava relaxada, com os pés descalços e sendo simpática com jornalistas, asessores e todos os ajudantes antes de sua apresentação. Segundos antes de conversar com o UOL, a liberdade da artista era tanta que ela deixou escapar um alto e sonoro arroto. "Eu estou quebrando as regras aqui! Por que só homem pode?", brinca a norte-americana, que se apresentaria nesta sexta-feira (20) ao lado da banda The Nocturnals e do cantor Donovan Frankenreiter.

Na década de 1960 e 1970 tinha tanta psicodelia aqui como lá fora, mas com esse jeitinho brasileiro especial. Das bandas daqui, eu curto muito o que os Mutantes fizeram

Grace Potter

Tão à vontade quanto no backstage, Grace Potter subiu horas depois no palco, usando um vestido curto e repleta de energia. Abrindo a apresentação com "Never Come Back" e "Turntable", a cantora pulava e sorria para o público brasileiro.

Arriscando o português com frases como "vocês são lindos" e "cantem comigo", a artista norte-americana e seus companheiros da banda The Nocturnals apresentaram um repertório voltado ao rock alternativo, mais pesado do que os shows de outras artistas que já passaram pelo Rock in Rio como Mallu Magalhães, Kimbra e Florence Welch.

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Ao convidar, Donovan Frankenreiter para o palco, Grace e a banda tocaram a música "Free", mais famosa entre as canções do músico norte-americano. A plateia cantou junto, parecendo mais animada do que durante o show de Mallu Magalhães, que antecedeu Grace no Palco Sunset.

Sobre a parceria com Frankenreiter, Grace comentou que adorou a escolha pelo fato do artista já ter passado pelo Brasil no passado. "Ontem no hotel, fizemos uma jam session, foi bem legal", contou a cantora, que assumiu os teclados na faixa "It Don't Matter".

No chão do Palco Sunset, um público predominantemente jovem e composta por casais ou mulheres dançava com as canções de Grace e Frankenreiter, que souberam apresentar um show típico de fim de tarde: clima calmo, com algum ritmo, servindo como bom aquecimento para os shows mais concorridos do dia.

A plateia gostou quando Grace voltou ao vocais, rebolando e dançando durante a versão da banda para "Miss You", hit do Rolling Stones. Multitarefa, ela assumiu a guitarra logo em seguida durante a música "Stop the Bus", arrancando aplausos da audiência. "Canta comigo", insistia. O públcio reagiu e a performance foi um dos ápices do show.

O trecho mais calmo e romântico surgiu durante a faixa "Stars", na qual a cantora volta para os teclados. E a atenção da plateia a acompanha, mesmo com toda a competência dos integrantes da banda The Nocturnals. Pouco depois, isso fica ainda mais claro quando Grace volta à guitarra durante a músics "Nothing But The Water" e se empolga bastante com o instrumento, dando à plateia um verdadeiro momento em transe no palco.

Antes do fim, o hit "Paris (Ooh La La) serviu para fechar uma apresentação com todos os elementos que se espera de um show desse porte: serviu a quem não conhecia as músicas, colocou o público para se mexer -- pouco, é verdade, mas bem mais do que nos shows de antes -- e provou que Grace foi fiel a o que disse ao UOL antes do show sobre a sua banda tocar, de fato, rock n' roll.

Fã de Santa Teresa e de Mutantes

Estreante em palcos sul-americanos, Grace já tinha visitado o país anteriormente, mas só agora realmente se identificou com o lugar. Na cidade há quatro dias, a artista teve a chance de conhecer as praias de Ipanema e Copacabana, mas a sua visita preferida foi a bairros voltados à boemia e aos artistas: Santa Teresa e Lapa.

"Esses lugares são mais a minha cara, eu não gosto de metrópoles. E esses bairros daqui são menos parecidos com cidades grandes, me lembram da cidade onde cresci", contou. "Senti mesmo que eu já conhecia aquele lugar, lá entre as montanhas. Talvez em outra vida isso tenha acontecido."

Grace afirma ser muito influenciada pela bossa-nova, gênero musical com o qual teve contato durante a adolescência -- mesmo período em que se aprimorou na cultura do jazz. "Eu perdi um pouco de contato com a música brasileira durante os meus 20 e poucos anos, mas agora eu recuperei o tempo perdido", disse. "Na década de 1960 e 1970 tinha tanta psicodelia aqui como lá fora, mas com esse jeitinho brasileiro especial. Das bandas daqui, eu curto muito o que os Mutantes fizeram."

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Escalada para se apresentar em um dia mais ameno na comparação com a quinta-feira, um dia voltado ao heavy metal, Grace disse que teria preferido tocar na noite do Metallica. "Nada contra o Bon Jovi, adoro ele, mas acho que a gente se identifica mais com esse som pesado. Eu adoro o Metallica, me identifiquei muito com o que vi no documentário 'Some Kind of Monster', me identifiquei muito com as coisas pelas quais eles passaram", disse. "A nossa música é mais pesada e 'metal' do que muita gente pensa. E eu gosto dessa mistura de opostos na música, isso é muito comum hoje em dia."

Encantada com o festival, Grace lamentou não ter tempo para ir na tirolesa, atração da Cidade do Rock que mais chamou sua atenção. "Tudo bem, tem vendedor e marcas como em qualquer lugar, mas há também uma tirolesa! Eu definitivamente iria." 

Como chegar

O evento contar com um sistema especial de transporte que inclui, além das linhas regulares, linhas especiais para chegar e sair da Cidade do Rock.

Uma linha circular vai do terminal Alvorada até o terminal Cidade do Rock, instalada no Autódromo, e tem paradas no Barra Shopping e no Shopping Via Parque. A linha funciona das 12h às 4h e sua tarifa é a mesma dos ônibus municipais. Na saída do evento será a única linha disponível, mas do terminal Alvorada é possível pegar outras linhas para o Rio de Janeiro.

Apenas ônibus poderão acessar a Cidade do Rock. Além disso, não há estacionamento para veículos nas redondezas do evento. As avenidas de acesso ao local estarão bloqueadas ao tráfego de carros, táxis e vans. 

Próximos shows

O segundo fim de semana de Rock in Rio traz ainda shows de John Mayer, Bruce Springsteen e Skank no sábado; e Iron Maiden, Slayer e Avenged Sevenfold, no domingo, fechando o festival.