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Música

Filho de Chorão chega ao IML de SP para liberação do corpo do cantor

Thiago Azanha

Do UOL, em São Paulo

06/03/2013 13h51Atualizada em 06/03/2013 15h54

Alexandre, filho do cantor Chorão da banda Charlie Brown Jr, chegou por volta das 13h50 desta quarta-feira (6) ao IML (Instituto Médico Legal) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, com documentos para liberação do corpo do cantor. O jovem de 23 anos estava a pé e não falou com a imprensa. O corpo deixou o local às 16h57.

Chorão --batizado de Alexandre Magno Abrão-- foi encontrado morto na madrugada desta quarta em seu apartamento cerca de um mês antes de seu aniversário de 43 anos, que seria comemorado em 9 de abril. O ex-cunhado do cantor, Reginaldo Lima, disse que não iria especular as causas da morte, mesmo após a informação de que foi encontrada uma "pequena substância branca que aparenta ser cocaína". no apartamento. "Toda a família está abalada, em choque", disse.

O delegado Gilmar Contrera, do 14° Distrito Policial de São Paulo, acredita que haja relação entre as drogas e a morte. "Acredito que ele possa ter tido uma overdose por conta das evidências que tinham no local. Foi encontrado um pó branco, mas só o laudo dirá se era cocaína", disse ele. O laudo demora de 4 horas a 6 horas para ficar pronto e deve ser divulgado pelo Departamento de Homicídios, segundo informou Contrera.

A mãe do filho do cantor, Thais Lima, e a ex-mulher de Chorão, Graziela Gonçalves, também aguardam a liberação do corpo no IML. 

Velório e enterro
A previsão é de que o velório seja aberto ao público no Ginásio Arena Santos a partir das 20h. Antes disso, apenas familiares e amigos terão acesso ao local, que tem capacidade para 5 mil pessoas, segundo informações da Prefeitura de Santos. O enterro acontecerá no Memorial Necrópole, cemitério particular próximo à Arena, a partir das 17h de quinta-feira

As circunstâncias da morte estão sob investigação do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Segundo o delegado Itagiba Franco, da Polícia Divisionária do Departamento de Homicídios, paramédicos encontraram o músico de bruços no chão da cozinha, com um das mãos machucadas e já sem vida, sozinho em casa. O apartamento que fica no oitavo andar estava revirado, sujo e havia vestígios de sangue.

Bebidas e pó branco também foram encontrados no local, mas o delegado não confirmou se era droga. "Vamos colocar isso no inquérito policial", disse. Trechos de um boletim de ocorrência divulgado pela TV Globo indicam que se tratava de "pequena quantidade de substância branca que aparenta ser cocaína".

Itagiba ainda falou à imprensa que ainda é muito cedo para falar o que aconteceu. "Não vou descartar nada, mas aparentemente não se trata de homicídio. Ele parece ter se debatido, por isso o sangue na mão".

O delegado afirmou ainda que o motorista e o segurança do músico chamaram o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) por volta das 4h30 desta quarta, mas não se sabe a hora da morte, já que Chorão não atendia a porta nem o telefone desde o meio-dia de terça-feira.

A apresentadora de TV Sonia Abrão, prima do cantor, chegou ao prédio por volta das 8h desta quarta e disse que Chorão estava com problemas pessoais envolvendo o divórcio da mulher, a estilista Graziela Gonçalves. "Ele ainda gostava muito dela, não estava conseguindo superar essa fase. Ele deve ter tido uma crise de desespero forte e de solidão. Ele não tinha noção que estava numa situação de limite", disse a apresentadora. Chorão e a mulher se separaram em meados de novembro do ano passado.

Biografia

Chorão formou a banda Charlie Brown Jr. na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, na década de 1990. Ele era o único integrante que permaneceu durante todas as fases do grupo, lançando nove discos de estúdio, dois álbuns ao vivo e duas coletâneas. O grupo vendeu mais de 5 milhões de discos e, em 2009, ganhou um Grammy Latino com o álbum "Camisa 10 Joga Bola Até na Chuva".

O último registro da banda é o disco ao vivo "Música Popular Caiçara", que saiu no ano passado e marcou a volta dos integrantes Marcão e Champignon à banda, que haviam deixado o grupo em 2005. A banda estava de férias e o retorno seria durante um show no próximo dia 22 em Campo Grande, no Rio de Janeiro. Um show no Credicard Hall, no dia 6 abril, em São Paulo também já estava marcado. Em nota, a produtora de SP disse que divulgará em breve informações sobre o reembolso.

A vida pública de Chorão foi marcada por uma série de desentendimentos entre os integrantes da banda e entre outros músicos, como a briga com Marcelo Camelo, integrante do Los Hermanos, em 2007. Chorão agrediu o cantor na sala de desembarque do Aeroporto de Fortaleza e foi detido pela Polícia Federal.

Além de músicas, Chorão também escreveu roteiros, como do filme "O Magnata" (2007), dirigido por Johnny Araújo, e do longa "O Cobrador", que ainda está em produção. Ele também era dono do Chorão Skate Park, em Santos, uma pista de skate indoor.

Repercussão

Ao saber da morte de Chorão, amigos e colegas do universo musical lembraram de seus últimos contatos com ele, sempre destacando sua personalidade explosiva e obstinada. Champignon, baixista da banda Charlie Brown Jr., disse que, apesar das desavenças, ele e Chorão eram amigos. "A gente tinha uma relação profissional. Apesar das muitas brigas, éramos amigos há mais de 20 anos", falou.

"Chorão era um cara diferenciado. Era jovem por dentro, tinha essa rebeldia que o cara novo gosta", destacou o produtor Rick Bonadio, que lançou o álbum de estreia do Charlie Brown Jr. em 1997 e tinha voltado a falar com o músico recentemente para mostrar novas faixas. "O Chorão era um cara de personalidade forte, brigava com as pessoas, entre a gente nunca teve problema. No estúdio, ele era sempre respeitoso. Quando eu pedia três músicas, ele fazia 20. Era fantástico, muito criativo e carinhoso".

O jornalista José Julio Espírito Santo, que trabalhava na gravadora Virgin na época do primeiro disco, lembrou que, apesar de ser "uma pessoa muito amável em certos momentos", o músico parecia sofrer de "um transtorno bipolar sério, e que talvez nunca tenha tratado". "Ele tinha uma relação de amor e ódio com Rick Bonadio e o resto da Virgin. Eu, por algum motivo, era excluído disso e ele sempre se fechava na minha sala para pedir conselhos ou só bater papo e ouvir uns discos."

Johnny Araújo, que dirigiu "O Magnata" e diversos clipes da banda, resumiu: "Ele tinha uma atitude rock'n'roll. Era polêmico por ser verdadeiro, amava música e sabia o que queria. Era preciso ter sensibilidade para entender o jeito dele".

Uma das últimas pessoas a ter contato com Chorão, o radialista Tatola, da UOL 89 FM, recebeu uma visita surpresa do cantor na quinta-feira passada, nos estúdios da rádio paulistana. Durante o programa "Quem Não Faz, Toma", o cantor levou uma música inédita, intitulada "Meu Novo Mundo".

"Ele foi na rádio por acaso, acompanhado do filho [Alexandre]. Ninguém esperava ele lá. Ele disse que tava ouvindo o programa e resolveu subir", contou. O apresentador, que no passado teve desavenças com o cantor, ficou surpreso com a visita e emocionado ao relembrar a cena. "Ele subiu, me abraçou muito, muito mesmo. Me pediu desculpas, e eu pedi para ele deixar para lá".

O cantor permaneceu por cerca de duas horas na emissora, junto de seu filho, Alexandre, de 23 anos, fruto do relacionamento com Thais Lima. Fora do ar, chegou a afirmar que estava muito abalado por causa da separação da última mulher, Graziela Gonçalves, e que estava retomando o apartamento em São Paulo. "O apartamento estava bagunçado porque ele estava reformando e vivia fazendo festas. Não tinha nada de briga. Ele estava triste e se enfiou onde não devia se enfiar."

Pelas redes sociais, diversas personalidades lamentaram a morte de Chorão, entre elas o apresentador Luciano Huck, a ministra da Cultura, Marta Suplicym a apresentadora Ana Hickmann e os ídolos da torcida do Santos Neymar e Robinho.