Gravadora: Inker
Preço médio: R$25
15/10/2008
MUDHONEY
"The Lucky Ones"
Em seu oitavo álbum de estúdio, a mais duradoura banda da explosão grunge completa 20 anos demonstrando o poder do amadorismo e as virtudes do "modus operandi" punk que os separou de seus contemporâneos.
Enquanto os colegas de "movimento" acabaram, morreram ou perderam a relevância, o Mudhoney ameaça se juntar ao rol presidido pela tríade Ramones, ACDC e Motörhead de veteranos que dedicam sua maturidade apenas à sua especialidade e a polir uma sonoridade específica.
No caso da banda de Seattle, essa sonoridade é a síntese da linha evolutiva do rock de garagem, desde os Sonics no início dos anos 60 ao hardcore do Black Flag e afins, no início dos 80, com tudo de mais barulhento que foi realizado no meio do caminho.
Se no álbum mais recente, o criativo e quase psicodélico "Under a Billion Suns" (2006,) o Mudhoney gravou o disco que os Stooges deveriam ter feito em sua reunião, "The Lucky Ones" segue um padrão musical mais primitivo, que passa o lado mais extremo do rock de garagem dos anos 60 no filtro da economia do punk norte-americano oitentista.
A banda mantém pouco do que o senso comum associa ao termo "grunge". O álbum, gravado em apenas três dias, chega a lembrar os primeiros dias dos pós-punks ingleses do Fall em faixas como "Running Out" e "What's This Thing" pelo delicioso amadorismo e riffs hipnóticos repetidos à exaustão.
No disco todo, os riffs simples surgem em torno da bateria certeira de Dan Peters como estudos dos fundamentos básicos do rock and roll em canções mais rítmicas do que nunca.
O único problema aqui não está no álbum em si, mas na versão brasileira. Enquanto o disco importado saiu em formato duplo, acompanhando um CD extra com o primeiro EP, "Superfuzzbigmuff" (1988) remasterizado, a nacional vem sem nenhum extra e conta apenas com o encarte pouco atrativo.
(PEDRO CARVALHO)