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Morre produtor e arranjador Lincoln Olivetti, "mago da MPB" nos anos 80

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Lincoln Olivetti deu a cara da música MPB nos anos 80 Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

14/01/2015 09h40

Um dos mais importantes produtores e arranjadores da música brasileira, Lincoln Olivetti morreu na terça-feira (13) aos 60 anos, vítima de infarto, no Rio de Janeiro.

Nascido no subúrbio de Nilópolis, ele começou a estudar piano ainda criança. Mais tarde, entraria no curso de música e engenharia eletrônica. A vivência fez com que Olivetti se tornasse um dos pioneiros no Brasil a usar sintetizadores e elementos eletrônicos na música.

A cara dos anos 80
Na virada dos anos 80, essa mistura com a música brasileira, com clara inspiração na disco music e na música negra americana, sem jamais abandonar a brasilidade, praticamente criou o pop brasileiro. O primeiro sucesso foi com “Chega Mais”, de Rita Lee, em 1979. A parceria com a cantora voltaria em 1980 com “Lança Perfume” – considerada uma obra-prima na carreira de Rita.

Olivetti produziu e arranjou grandes sucessos de Gal Costa, como “Festa do Interior” e “Meu Bem Meu Mal”, Roberto Carlos em "Amor Perfeito", Gilberto Gil em “Palco”, Zizi Possi em “Um Minuto Além”, Marina Lima em “Só Você” e Tim Maia em “Você e eu, eu e você”, “Acenda o Farol” e “Está difícil de esquecer”.

A lista de artistas com quem trabalhou é ainda mais extensa: Emílio Santiago, Marcos Valle, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Angela Rôrô, Sandra de Sá, Jorge Ben Jor, Fagner, Wando e Joana. Foi a fase em que arranjos suntuosos, com muito teclado e metais, tomaram conta das rádios, dando a Olivetti a fama de midas da música. Fora os arranjos irresistíveis para a pista, ainda hoje seu trabalho é citado como uma das melhores gravações do Brasil. 

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Imagem: Divulgação
Em um depoimento nas redes socias, Ed Motta esmiuçou o preciosismo de Olivetti no estúdio: “Ele ia lá, e de um estúdio no RJ colocava todo mundo num formato realmente internacional, como nunca mais se viu aqui, não por ausência de talento, mas por preguiça, dá trabalho fazer certo no estúdio, execução, timbre etc. Tecnicamente a única referência do Brasil que eu sempre tive foi Lincoln Olivetti, o cara que fazia uma "festa no interior" soar igual Earth, Wind & Fire, o cara que fazia os discos ficarem bem gravados, arrancar leite de pedra dos músicos etc”.

Compositor, Olivetti também lançou um disco autoral em parceria com  Robson Jorge, em 1982, uma das joias desconhecidas da MPB, mas bastante reverenciada por músicos de várias gerações.

Estigmatizado pelo próprio estilo, Olivetti passou anos no ostracismo acusado de “pasteurizar” a música brasileira, tendo voltado a trabalhar nos anos 90 com Lulu Santos e Ed Motta. Um de seus últimos trabalhos foi como arranjador no reality show “The Voice”. "Os Deuses do Olimpo Visitam o Rio de Janeiro", música-tema dos Jogos Olímpicos Rio 2016, foi arranjada por ele.