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Com show pesado, Alice in Chains faz Rock in Rio voltar a 1992

Tiago Dias

Do UOL, no Rio

19/09/2013 22h13

O grunge ainda vive no Rock In Rio. Heróis onipresentes do rock de Seattle, o Alice in Chains subiu ao palco Mundo para representar o gênero neste que é o dia mais pesado do festival.

De cara, a Cidade do Rock voltou a 1992, com “Them Bones”  e “Dam the River”, primeira e segunda músicas do disco “Dirt”, lançado naquele ano, no auge do sucesso da banda que ainda tinha Layne Staley, morto em 2002, como vocalista.

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Mesmo com um cantor novo na banda, Wlliam DuVall -- já conhecido do público brasileiro desde 2011, quando a banda tocou no festival SWU --, o Alice In Chains soube passar pela sombra da morte do integrante e ao próprio tempo. William tem personalidade própria a frente da banda, não emula e nem se parece com Layne. Mesmo assim, a banda faz o mesmo som -- até mais pesado, mesmo que Jerry Cantrell, Mike Inez e Sean Kinney sempre tenham flertado com heavy metal --, e se mantém íntegra, longe da armadilha de ser cover de si mesma.

"Nos últimos 12 anos nosso show tem sido a mesma coisa", disse o guitarrista Jerry Cantrell ao UOL, dias antes do show. "Mas temos muito orgulho de sempre operar em alto nível".

E foi exatamente isso que os fãs assistiram na noite desta quinta-feira. O público, à espera do Metallica, não encheu o palco, mas quem se aglomerou, vibrou. “Olá Rio, tudo bem? Muito bom estar de volta e tocar no Rock in Rio”, disse William, em português, antes de cantar a radiofônica “Man in the Box”, do álbum "Facelift", de 1990. O público acompanhou em uníssono, com os braços para o alto.

No palco, a banda utilizou todos os telões para efeitos visuais, o que ajudou a criar uma atmosfera às canções, principalmente em “Down In a Hole”. “Vocês são malucos, mas eu gosto disso”, brincou William, antes de “Would?”. Jerry Cantrell - que apareceu com os cabelos bem curtos, diferente do visual de sua última passagem pelo país - parecia realizado e, vez ou outra, tocava na passarela lateral, próximo ao público. 

Jander Mendes, 36, fã da banda desde seu surgimento, veio de Manaus para ver a banda ao vivo pela primeira vez. "Eles continuam a mesma banda. O Jerry e o Mike são a alma do Alice. Valeu muito a pena", disse. Bonnie Salles, 31, do Rio, confirma a impressão. "Eles têm o mesmo gás e o vocalista tem  uma personalidade boa para fazer a banda continuar", explicou.

A banda empolgou até mesmo os fãs do Metallica. Vestindo uma camiseta vintage da banda de James Hetfield, que reproduzia a capa do disco "Kill 'Em All" (1983), Sérgio Miranda, 38, cantava "Hollow", do Alice in Chains, a plenos pulmões. "Não existe rixa do metal com o grunge. O Metallica é amigo do Alice. As letras das duas bandas têm afinidades, sincronizam. E o som deles se completam", disse o morador de Natal (RN), que veio ao Rock in Rio para os dois dias dedicados ao heavy metal.

Outro fã do Metallica, com uma camiseta da banda de James Hetfield da época do disco "Master of Puppets" (1986), Marco Aurélio Júnior, 40, defendeu a união dos gêneros. "Eu ouço de tudo. A minha banda do coração mesmo é o Red Hot Chili Peppers, mas tanto o Metallica quanto o Alice in Chains são nomes de peso. Hoje é dia de rock", disse ele, que saiu de Pouso Alegre (MG) para ver também Iron Maiden e Slayer.

  • Getty Images-Reprodução/Multishow

    Jerry Cantrell, guitarrista do Alice in Chains, em foto de 2009 (à esquerda) e com o visual de cabelos curtos, no Rock in Rio

Primeiro dia do metal

O show do Alice in Chains ocorreu depois de quatro apresentações no Palco Sunset e duas no Palco Mundo. Primeiro, as bandas Dr. Sin e República, com o guitarrista Roy Z,  deram o tom da mudança de ares no quarto dia de Rock in Rio -- o primeiro fim de semana foi marcado pelo pop de artistas como Beyoncé e Justin Timberlake -- tocando músicas próprias e encerrando o show com uma versão mais pesada de "You Really Got Me", da banda Kinks, que também fez sucesso na regravação do Van Halen.

Em seguida, o ex-Angra Edu Falaschi voltou ao festival com a Almah e, já na parte final da apresentação, convidou os gaúchos do Hibria, que empolgaram o público com o cover de "Rock And Roll" do Led Zeppelin em um tributo às "raízes do heavy metal".

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Edu prestou uma homenagem "à força" para o desenho japonês "Cavaleiros do Zodíaco", a pedidos do público. "Essa não", disse ele, aos risos. Mas acabou cedendo e cantou um trecho do tema já interpretado por ele em shows anteriores. Enquanto alguns fãs pediam, outros abaixavam a cabeça neste momento. 

Depois, veio Sebastian Bach, que teve problemas com o som. Ex-vocalista do Skid Row, Bach apresentou sucessos como "18 And Life" e "I Remember You".
 
Para encerrar o Sunset, Rob Zombie subiu ao palco não apenas com seu som pesado -- que vai do thrash metal ao noise rock --, mas com o baú cheio de referências ao horror.
 
O também produtor e diretor de cinema, aficionado pelo gênero, mostrou à cidade do rock músicas do seu último disco, "Venomous rat regeneration vendor", além do single dançante (a seu modo), "Dead City Radio", que Rob fez ao ouvir que as rádios só tocam músicas de artistas mortos.
 
No Palco Mundo, o Sepultura se juntou ao grupo francês de percussão Tambours du Bronx, em uma apresentação gravada que será lançada em DVD. "The Mediator Between the Head and Hands Must be the Heart", que deve sair logo após o festival. Na sequência, o palco principal recebeu os suecos do Ghost BC, em uma apresentação performática repleta de provocações à igreja católica que não animou muito o público da Cidade do Rock.
 
Depois de Alice in Chains, o primeiro dia de metal no Rock in Rio terá Metallica.
 
 

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