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Música

Steve Vai transforma orquestra erudita em banda de apoio no Rock in Rio

Alexandre Matias

Colaboração para o UOL, no Rio

25/09/2015 20h37

A mistura entre música erudita e rock é daqueles fios da navalha difíceis de se caminhar. É muito fácil cair numa pompa exagerada que acaba deixando o que deveria ser uma obra adulta e madura soar como uma mera cafonália pretensiosa. Ao transformar a Camerata de Florianópolis em sua banda de apoio no último show desta sexta-feira (25) no Palco Sunset do Rock in Rio 2015, o norte-americano Steve Vai parecia levar sua apresentação para este perigoso território.

Mas o que parecia ser uma espécie de concerto para guitarra e orquestra logo mostrou que o show preferia uma outra alternativa. Ao começar a apresentação com cinco minutos de antecedência, o guitarrista brincou com os músicos clássicos, tocando frases em seu instrumento e fazendo as diferentes seções da Camerata (violinos, violas, violoncelos e percussão) repetir as mesmas frases. Logo faria o mesmo com o público, regendo frases com a guitarra que eram cantadas pela massa, que se aglomerava cada vez mais à medida que o show prosseguia.

De cabelo curto e óculos de grau, Vai fugiu do estereótipo do guitarrista virtuoso, imortalizado por ele mesmo no clássico filme da Sessão da Tarde "A Encruzilhada", de 1986. E aos poucos foi deixando claro que não tinha intenção nenhuma em soar erudito --apenas tinha um grupo de músicos clássicos à sua disposição para tocar seu repertório. E isso também desintoxicou aquele mesmo palco do excesso de heavy metal do dia.

E ao mesmo tempo em que reduziu o nível de decibéis do festival, ele também deixou o clima da noite mais introspectivo, com o público mais preocupado em observar as firulas acrobáticas do guitarrista do que bater cabeça. Em alguns momentos, os solos intermináveis induziam ao sono e por vezes Vai e orquestra cruzaram a fronteira do bom gosto em momentos espetacularmente cafonas.

A massa não parecia se importar: estava hipnotizada pelos maneirismos de Vai, que mesmo com o visual mais comportado não fugiu do exibicionismo típico deste tipo de apresentação --não abandonou as calças de couro, empunhou um instrumento cujo braço tinha luzes acesas e solou a guitarra com a língua no final do show.

A apresentação terminou com o momento mais popular de Vai e deste tipo de metal, a melódica "For the Love of God", que até chegou a tocar nas rádios quando foi lançada em 1990. A rendição final foi esticada por longos dez minutos de um blues progressivo, que fez o público cantar o riff característico da canção. No final, Vai agradeceu ao festival por ter tido "a coragem de contratar uma orquestra para tocar comigo".

Quer conhecer melhor Steve Vai? Ouça o guitarrista no UOL Música Deezer.