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Vencedor de "American Idol" é coadjuvante de luxo no Palco Mundo

Mariana Tramontina

Do UOL, em São Paulo

21/09/2013 20h30

Desde que Kelly Clarkson apareceu em 2002 que os realities musicais da TV norte-americana não entregavam um artista de destaque. Phillip Phillips está tentando. Vencedor da 11ª temporada do "American Idol" dos EUA, no ano passado, o cantor de 23 anos --completados na sexta (20)-- chegou ao Brasil no embalo de John Mayer, com quem está viajando como atração de abertura da atual turnê. 

Qual foi o melhor show do sexto dia de Rock in Rio 2013?

Resultado parcial

Total de 5934 votos
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8,34%
1,33%
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Cantor de voz rouca e violão, Phillip aposta em bases do folk moderno de bandas como Mumford & Sons e Lumineers e faz um rock inspirado em artistas como Dave Matthews. Na audição do "American Idol", Phillip cantou "Superstition", de Stevie Wonder, e "Thriller", de Michael Jackson, essa última repetida no show do Rock in Rio com arranjos quase irreconhecíveis. No festival, "Let's Get It On", de Marvin Gaye, também ganhou uma homenagem dolorosa do músico, que só tem um disco lançado, "The World from the Side of the Moon" (2012).

De nome ainda desconhecido no Brasil, Phillip funcionou como um coadjuvante de luxo para os fãs que aguardavam os shows de Mayer e Bruce Springsteen no palco principal."Conheci agora e gostei. Pop rock é comigo mesmo", disse Vinícius Pena, 31, em meio a um bocejo e outro durante o show. "Na verdade eu gosto mais de rock pesado, tipo Iron Maiden e Metallica", completou.  

Acompanhado de uma competente banda e naipes de metais, Phillip segura o show corretamente, como aprendeu na TV, mas ainda falta alma à apresentação. Na tentativa de ser épico, Phillip se perde nas inspirações e não crava sua própria identidade.

Jurados do Rock in Rio
"Sou músico e gosto de acompanhar esses concursos de TV. Estava torcendo por ele no 'American Idol', e quando soube que ele viria para o Brasil procurei conhecer mais coisas dele", contou Diego Pardini, 26, de Belo Horizonte, comparando o cantor a Dave Matthews. Fernanda Aor, 22, do Rio de Janeiro, estava à espera de John Mayer, mas não deixou de prestar atenção em Phillip. "Não conhecia e gostei demais, do conjunto todo. É o estilo que gosto", aprovou. 

Com "Home", de composição própria, ele chegou ao topo das paradas dos Estados Unidos e expandiu fronteiras, chegando até o Brasil pela trilha sonora da novela "Sangue Bom", da TV Globo. E foi com "Home" que Phillip teve o público do Rock in Rio nas mãos. Pena que ele deixou a música para o encerramento e já era tarde demais.

"Essa música é boa, mas o show estava muito para baixo, estilo Coldplay, com as músicas todas parecidas", disse Luiza Gianechini, 18, de Limeira (SP). Questionada sobre qual conselho daria se fosse uma jurada do "American Idol", Luiza foi enfática: "Seja mais alegre, Phillip!". Rogério Corrêa, 39, de Campinas (SP), também não aprovou. "Nunca tinha ouvido falar, e não gostei de ouvir. É um blefe. Achei chato, faltou rock. Eu aconselharia ele a ir para a estrada, pegar experiência, porque ainda não convenceu", disse.

Neste sexto dia de Rock in Rio, John Mayer e Bruce Springsteen são as atrações mais esperadas do Palco Mundo, aberto pelos brasileiros do Skank – que tocaram sucessos da carreira e tiveram convidados como Emicida e Nando Reis.

O Palco Sunset abre espaço para os encontros de Orquestra Imperial e JovanottiMoraes Moreira, Pepeu Gomes e Roberta SáIvo Meirelles, Fernanda Abreu e Elba Ramalho e finalmente Gogol Bordello e Lenine -- que encerra a programação tocando sozinho.

"Ame ou odeie"

O Bon Jovi encerrou a sexta em marcha lenta. Sem o baterista Tico Torres (substituído de última hora) e o guitarrista Richie Sambora (já em situações de conflito há algum tempo), restou para Jon e o tecladista David Bryan defenderem os clássicos da banda. Não deu muito certo, o show estava modorrento. De diferente, estava a fã que subiu ao palco e ganhou selinho e o cover de "Start Me Up", dos Rolling Stones.

Exemplo do perfil de "ame ou odeie" que parece recair sobre as atrações do quinto dia, o Nickelback venceu as desconfianças e foi acompanhado pela plateia do início ao fim da apresentação com um repertório que alternava faixas mais pesadas como "Animals" a baladas como "Photograph" e "How You Remind Me".

Já o Matchbox Twenty ajudou a esquentar o público para o Bon Jovi cantantando sucessos radiofônicos como "3 A.M." e "Unwell" e "Push". "So Sad So Lonely", do álbum "More Than You Think You Are" (2002), com seus solos e pegada mais roqueira, foi uma das faixas que mais cativaram o público. Velho conhecido do Rock in Rio, Frejat teve a responsabilidade de abrir o Palco Mundo, com show recém-saído do forno.

No Palco Sunset, conhecido por duetos e encontros de diferentes artistas, o destaque foi o show de Ben Harper, que estreou no Rock in Rio ao lado do lendário bluesman Charlie Musselwhite. O espaço ainda recebeu apresentações The Gift e Afrolata, Grace Potter and The Nocturnals e Donavon Frankenreiter e Mallu Magalhães com a banda Ouro Negro.

A vez do rock no Rio

A segunda parte do Rock in Rio, que se estende até domingo e conta com atrações mais roqueiras e pesadas do que na semana passada, teve início nesta quinta. O destaque da noite foi a apresentação do Metallica, que voltou ao festival após dois anos, com repertório que revirou praticamente toda a discografia da banda em um show de 2 horas e 10 minutos de duração.

O Palco Mundo teve ainda os veteranos do grunge Alice in Chainsos brasileiros do Sepultura, que tocaram junto com o grupo francês de percussão Tambours du Bronx, e os suecos do Ghost BC, em sua apresentação performática repleta de provocações à igreja católica. Pelo Palco Sunset, passaram dois antigos conhecidos dos fãs de rock no Brasil: o ex-Skid Row Sebastian Bach e Rob Zombie, que já tinha vindo ao país em 1996 à frente da banda de metal White Zombie.