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"Se estivesse vivo, Cazuza ia adorar ver o povo na rua", diz Frejat no RiR

Tiago Dias

Do UOL, no Rio

13/09/2013 18h32

Um dos artistas brasileiros mais marcantes da história do Rock in Rio, Cazuza ganhou uma homenagem nesta sexta-feira (13), na Cidade do Rock. Vinte e três anos depois da sua morte, e quase 30 anos da apresentação memorável com o Barão Vermelho, na primeira edição do evento, o público cantou músicas que nunca deixaram de tocar nas rádios, como “Ideologia” e “Exagerado”.

No palco, a obra de Cazuza foi celebrada com fogos de artifícios e tributos. Amigos que eram mais próximos ao cantor, como Ney Matogrosso e Bebel Gilberto, se juntaram a Maria Gadu, Rogério Flausino e Paulo Miklos para relembrar os grandes sucessos do carioca, nos mesmos moldes do Concerto Sinfônico Legião Urbana, que aconteceu no festival de 2011. A obra do cantor, no entanto, foi beneficiada sem a formalidade de um orquestra e ganhou versões em reggae, como em "Nosso Amor A Gente Inventa," e arranjos de metais em "Faz Parte do Meu Show".

O público, na maioria jovem, cantava sucessos como "Brasil" e "Pro Dia Nascer Feliz", como se tivessem conhecido o ídolo ainda vivo. Lohanny Santiago, de 21 anos, não teve dúvidas em parar para assistir ao show: era promessa garantida de conhecer as canções. "Gosto muito do Cazuza e ele merece toda essa homenagem. Eu conheço tantas músicas dele, só não sei o nome delas", disse.

Cristiane Messias, 37, conheceu Cazuza ainda em fase produtiva e aprovou a homenagem, embora tivesse sentido falta do próprio artista, mesmo que não fosse em carne e osso. "Foi maravilhoso, só faltou ele aqui, como holograma, assim como fizeram com Renato Russo. Aí seria perfeito", sugeriu. "A Bebel Gilberto estava super animada, mas ela não conseguiu agitar o público", ressaltou, enquanto cantava todas as músicas como se estivesse em um karaokê.

Embora seja uma presença VIP quando se fala em Cazuza - ambos eram amigos próximos e escreveram, a quatro mãos, canções como "Mais Feliz" e "Preciso Dizer Que Te Amo" -, se confundiu, chamou Rogério Flausino antes da hora e fez parte do público torcer o nariz.. Alguns chegaram a ensaiar uma vaia e gritar: "Passa a vez". Ela nem ligou: "Vocês estão tendo o privilégio de ver essa galera reunida aqui. Viva Cazuza!", gritou. Maria Gadu defendeu bem "Bete Balanço" e "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", mas não chegou a empolgar.

Acabou que os intérpretes masculinos, como Paulo Miklos, Rogério Flausino e, principalmente, Ney Matogrosso, ficaram a cargo do ponto alto da homenagem. Ney, que teve um caso com Cazuza, foi visceral ao cantar "O Tempo Não Para" e finalizou com os olhos marejados, sob fortes aplausos.

Vendo que o público era mais novo, Frejat ressaltou a urgência de algumas canções do carioca que ainda continuam atuais. "Não sei o que Cazuza estaria fazendo hoje em dia, se estivesse vivo, mas ele ia adorar ver o povo nas ruas", disse. Rogério Flausino foi na mesma linha, antes de começar a cantar "Ideologia": "As canções de protesto não envelhecem nunca". 

O encerramento juntou todos os artistas no palco, incluindo o diretor musical Liminha, para entoar o clássico "Pro Dia Nascer Feliz", espécie de hino informal do festival, graças a imagem icônica de Cazuza enrolado em uma bandeira do Brasil em 1985. A participação foi lembrada no telão

 

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Primeiro dia

Os shows do Palco Mundo começaram com uma apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira misturando música erudita com rock

 

O público aplaudiu o término da primeira execução e vibrou quando o som de uma guitarra invadiu a harmonia dos instrumentos típicos de música clássica.

 

A orquestra, sob o comendo do maestro Roberto Minczuk, apresentou peças de Villa-Lobos e Beethoven, depois fez um pout pourri com trechos de músicas de bandas como Stones, Cream, Beatles, U2, Legião Urbana e Kid Abelha, fechando com a música-tema do Rock in Rio.

 

Na tarde desta sexta-feira, já passaram pelo Palco Sunset a banda californiana Vintage Trouble e a cantora inglesa radicada no Brasil Jesuton e Flávio Renegado com Orelha Negra.

 

Filha de pai negeriano e mãe jamaicana, Jesuton foi descoberta cantando na capital fluminense versões de sucessos de outras vozes potentes como a de Adele. Após participar de programas como "Caldeirão do Huck", Jesuton gravou uma música para a trilha sonora da novela "Salve Jorge", atração da TV Globo. A faixa se chama "I Will Never Love This Way Again".

 

Nome elogiado do soul e do R&B atual, o Vintage Trouble foi relegado a um horário de pouco privilégio, quando o público ainda é escasso. Formada em Los Angeles há apenas três anos,  a banda de estilo old school tem apenas um disco lançado, mas que vem angariando elogios.

 

O evento

A quinta edição brasileira do Rock in Rio começa nesta sexta e vai até o dia 22 de setembro. Mais de 160 artistas irão se apresentar em cinco espaços diferentes, divididos entre os sete dias de programação. Quase 600 mil pessoas estão sendo esperadas durante o festival, com uma média de 85 mil espectadores por dia.

 

O palco Mundo, o maior e principal, conta nesta sexta com as musas Beyoncé e Ivete Sangalo, o eletrônico David Guetta e um tributo a Cazuza reunindo diversos artistas nacionais. O segundo dia (14) diversifica um pouco mais a programação do palco, com os brasileiros do Capital Inicial, o metal pop do 30 Seconds to Mars, as influências soul do Florence and the Machine e o indie pop do Muse. Já o domingo (15) investe no pop com influências de R&B de Jota Quest, Jessie J, Alicia Keys e Justin Timberlake.