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Slipknot promove apocalipse sonoro em circo de horrores no Rock in Rio

Leonardo Rodrigues

Do UOL, no Rio

26/09/2015 01h08

Atração principal deste quinto dia de Rock in Rio 2015, a banda norte-americana Slipknot encerrou os shows desta sexta-feira (25) com uma viagem às profundezas do inferno "headbanger". No idioma do grupo mascarado, isso significa guitarras altamente ruidosas, baterias frenéticas, vocal gutural e até certa propensão a melodias, ilhas de tranquilidade em meio ao apocalipse sonoro --e que, de longe, explicam parte do apelo do grupo.

A fórmula de terror, alçado ao mainstream pelo metal alternativo no início dos anos 2000, tem seguidores. Às pencas. E ainda hoje é capaz de arrebanhar jovens interessados em expurgar os demônios. "Vocês não fazem ideia da honra e privilégio de estarmos aqui", disse o vocalista Corey Taylor, com seu macacão negro, uniforme também dos outros colegas.

Encapetado por luzes, percussões e imagens do capeta, representado por um boneco no palco e imagens projetadas no telão, o show foi acompanhado com energia exemplar. Pulos, saltos, palmas, berros. O inferno de Dante Alighieri pintado em versão metaleira adolescente.

Ainda assim, o frenesi foi menor do que o promovido neste sábado pelo System of a Down, mas a "família" --forma como o vocalista chama os fãs-- foi até o fim, hipnotizada pelo setlist, de longas 17 músicas.

Destaques para a o esporro de "Vermilion" e as melodiosas "Before I Forget" e "Duality", esta com direito à chuva de papel picado cor-de-rosa, que ganhou efeito maior com a chuva que começava a cair na Cidade do Rock. 

Com uma massa sonora pesada, que martelava como uma britadeira, praticamente todas as músicas ganharam rodas de pogo na plateia. Fáceis de se entrar, mas difíceis de se sair. E de um feito o Slipknot pode se gabar: mulheres também participavam.

Um dia atípico no Rock in Rio

Com termômetros registrando 39ºC na região da Cidade do Rock, os macacões vermelhos de manga comprida e máscaras usadas pelos integrantes do Slipknot ganharam réplicas nas mãos de fãs que estavam na fila para o Rock in Rio. No entanto, as peças não foram permitidas dentro do festival, e os fãs tiveram que deixá-las do lado de fora --alguns pagaram R$ 75 para usar o guarda-volumes do evento.

O primeiro show do dia foi também uma revisita aos clássicos do cinema de horror. Capitaneado pelo músico e cineasta André Moraes e pelo multi-instrumentista André Abujamra, o grupo foi montado especialmente para o festival e recriou temas conhecidos de filmes do gênero. Teve trilha de "Halloween", de "Psicose", de "O Bebê do Rosemary" e de "O Estranho Mundo de Zé do Caixão". Mas também ouviu-se obras de Ozzy Osbourne, Black Sabbath e Iron Maiden, arrematando com o divertido tema de "Os Caça-Fantasmas".

Segunda atração do Palco Sunset, a banda portuguesa de metal gótico Moonspell fez sua estreia na edição brasileira do festival ao lado de Derrick Green, vocalista do Sepultura. Tocando em plena luz do dia, o grupo entreteve o público com sua sonoridade sombria, que mistura peso e melodias calcadas em bandas britânicas que fizeram sucesso nos anos 1980, como Bauhaus e Sisters of Mercy.

Os finlandeses do Nightwish trouxeram um tom épico já no anoitecer. Banda querida dos brasileiros, a banda com visual gótico, transformou cada canção em uma fábula e sinfonias que parecem se encaixar em trilha sonora de séries como "Game of Thrones". Foi um show que o público fiel esperava.

O De La Tierra abriu o Palco Mundo diante de um público pequeno. Formado pelo guitarrista Andreas Kisser (Sepultura), pelos argentinos Andrés Gimenez (A.N.I.M.A.L.), Sr. Flavio (Los Fabulosos Cadillacs) e Alex González (Maná). Pouco conhecidas, as músicas não conseguiram tirar grande resposta da plateia, mas quanto tocaram "Polícia", dos Titãs, as primeiras e animadas rodas de pogo do dia apareceram.

Ao transformar a Camerata de Florianópolis em sua banda de apoio, o guitarrista norte-americano Steve Vai brincou com os músicos clássicos, tocando frases em seu instrumento e fazendo as diferentes seções da orquestra (violinos, violas, violoncelos e percussão) repetir as mesmas frases. De cabelo curto e óculos de grau, Vai fugiu do estereótipo do guitarrista virtuoso e deixou claro que não tinha intenção nenhuma em soar erudito --o que desintoxicou aquele mesmo palco do excesso de heavy metal do dia.

Um dos grupos mais incensados pela crítica na última década, a banda norte-americana Mastodon fez seu primeiro show no Brasil. Uma estreia forte, musicalmente irretocável. Ao vivo, a banda é um trator. Instrumentistas técnicos, volume no talo e praticamente nenhum espaço para virtuosismo, mesmo com a forte pendência do grupo para um som mais progressivo. O estilo direto e pesado conquistou ouvintes.

O Faith No More, que tinha tudo para fazer um show épico com seu novo disco, teve seu show comprometido pelo tombo que Mike Patton levou logo na terceira música. Ele mergulhou em direção à plateia, mas não calculou a distância e caiu sobre a grade que separa o público do palco. Patton disfarçou, mas mancou em alguns momentos, o que deve ter colaborado para uma performance mais comedida.

O Rock in Rio 2015 segue neste sábado com shows de Lulu Santos, Sheppard, Sam Smith e, fechando a noite, Rihanna. O dia ainda tem encontros de Brothers of Brazil com Glen Matlock, Erasmo Carlos com Ultraje a Rigos, Angelique Kidjo com Richard Bona, e Sérgio Mendes com Carlinhos Brown.